quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A VERDADEIRA CERTEZA DE SALVAÇÃO

Retomando o parágrafo I da Confissão de Fé, após a afirmação da existência da falsa convicção, lemos o seguinte: “...contudo, os que verdadeiramente crêem no Senhor Jesus e o amam com sinceridade, procurando andar diante dele em toda boa consciência, podem, nesta vida, certificar-se de se acharem em estado de graça, e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus, essa esperança que jamais os envergonhará.”
Esta declaração da Confissão de Fé deixa claro que, segundo as Escrituras, existe não somente uma certeza de salvação, mas, também, uma certeza verdadeira de salvação. Todavia, para tornar clara a diferença entre a falsa e a verdadeira certeza de salvação, alguns pontos precisam ser enfatizados aqui. O primeiro diz respeito à fé daquele que verdadeiramente é salvo: “verdadeiramente crêem no Senhor Jesus”; com isto, aponta-se para o fato de que os verdadeiros salvos não olham para si mesmos como merecedores da salvação; na verdade, têm eles a compreensão correta de sua incapacidade para adquirí-la, e por isso lançam-se, totalmente, confiantes em Jesus, nos benefícios conquistados por Ele, o único justo, na cruz do calvário. Assim, a verdadeira certeza de salvação pertence àqueles que depositaram toda a sua fé na obra de Jesus Cristo, não procurando em si mesmos méritos para alcançá-la.
O segundo aspecto diz respeito à disposição do coração daquele que verdadeiramente encontrou a salvação em Jesus: “O amam (a Jesus) com sinceridade”. Sproul, comentando esta disposição interior daquele que é verdadeiramente salvo, diz que:
Uma pessoa regenerada tem recebido a operação interna do Espírito Santo, através da qual a inclinação ou disposição da alma tem sido alterada. O coração regenerado possui um amor e desejo por Cristo que não é encontrado no incrédulo.

Infelizmente, com o sentimentalismo barato de nossa geração, amar passou a significar “satisfação pessoal”, e não doação por outrem, como ensina a Escritura Sagrada. Assim, amar Jesus passou a ser entendido como “cantar” músicas melosas para Ele em vez de compromisso com seu reino e sua vontade. Por isso, não vemos mudança de atitudes, de comportamentos, na suposta “geração de apaixonados” por Jesus, pois o amor que expressam não passa de satisfação pessoal expressa em suas canções. O amor que Cristo requer de nós implica em sinceridade e doação pessoal.
Quando falamos de sinceridade, falamos da intenção dos nossos corações. Cristo tem que significar tudo para nós, não parte, mas tudo; ele não divide a sua glória com qualquer outra coisa ou pessoa (Lc 14.25-33). Se buscamos a Cristo por causa de algum problema que possuímos (dinheiro, casamento, emprego, etc.), e O aceitamos por recebermos a dádiva desejada, isto nos cega para a nossa real necessidade dele. Quando amamos a Cristo sinceramente O aceitamos por estarmos conscientes de nossa culpabilidade diante de Deus, da gravidade do nosso pecado e do estado de nossa naureza diante de sua santidade, o que nos impede de nos salvarmos a nós mesmos. Assim, corremos para Cristo como a dádiva de Deus-Pai para a nossa salvação e a Ele nos entregamos por inteiro. Ele, então, passa a ser o bem maior que possuímos, e não as dádivas passageiras que possamos receber dele. Um coração sincero deseja e ama o redentor Jesus, e não as bênçãos que Ele pode dar, de tal forma que, se Ele nada me der de material nesta vida, Ele, em si, já será o suficiente para a minha plena alegria.
O amor expresso a Cristo se vê, também, na doação pessoal, tal como expressa na Confissão de Fé, quando diz: “procurando andar diante dele em toda boa consciência”, ou seja, os que amam a Cristo procuram viver de forma agradável ao seu Senhor, de forma que suas consciências não os acusam de denegrirem a imagem daquele que os amou e redimiu. Ninguém que diga estar em Cristo e anda nas trevas fala a verdade, antes, a si mesmo se engana e caminha a passos largos para a condenação (1 Jo 1.5,6). Não importa quantas vezes você vá a igreja, cante louvores a Cristo, faça orações e leia a Bíblia; se a sua vida não desejar a santidade requerida por Ele, e não pautar suas decisões de vida a partir da honra que Ele requer, você estará entre os que se enganam para a perdição da alma. A salvação requer de nós integridade, desejo de pureza e santidade; assim, é incompatível a vida em Cristo e a vida no pecado.
Considerando estes pontos, podemos afirmar que, ainda nesta vida, pode o crente se assegurar de sua salvação. Reisinger nos diz que esta certeza se fundamenta sobre a infalível Palavra de Deus, as graças das quais a Palavra fala ao coração do crente e o testemunho do Espírito de nossa filiação divina (Rm 8.16). Ou seja, a certeza se fundamenta na declaração que a Escritura Sagrada faz quanto aos salvos, e não em nossos sentimentos quanto à matéria, pois o nosso coração é enganoso, e em muitos momentos poderemos até sentir uma certa insegurança, mas a Palavra de Deus nos assegura que se “estamos em Cristo”, somos novas criaturas (2 Co 5.17), e isto deve dissipar as dúvidas dos nossos corações quando Satanás tentar nos abater com palavras de condenação: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8.33).

Um comentário:

RÓGER disse...

Amém, amém. Um por mim mesmo, renascido pela graça para dar exemplo do que Deus pode fazer. o outro por todos aqueles que seguem os passos descritos nessa postagem. Abraços.