sábado, 31 de dezembro de 2011

A INFÂNCIA ETERNA DO CRENTE Pr. Juan Carlos Ortiz, pastor pentecostal na Argentina

A meu ver, a Igreja de hoje se defronta com três problemas básicos. O primeiro é o da infância eterna do crente. O segundo é o do crente fora de lugar. E o terceiro é a falta de unidade. Isso se tornou evidente para mim Quando revi minha própria situação na nossa Igreja. Embora estivéssemos acrescentando mais e mais nomes à nossa lista de membros, continuavam todos criancinhas, bebês a quem se tinha que ensinar as mesmas coisas anos após anos.
Nosso infantilismo é evidente nas nossas orações: “cure-me, ajude-me, batize-me, prospere-me, me, me, me”.
A centralização no “me”, no “eu” é infantil.

As crianças estão sempre pedindo: “me dá, mamãe! Me dá, papai! Me dá um real. Me dá um sorvete. Me dá isso. Me dá aquilo.”
Só a pessoa madura sabe partilhar, sabe doar, sabe dar. Quando eu era criança, vivia pe-dindo. Agora sei dar. Por que? Porque amadureci. Cresci, por isso devo dar, partilhar, doar.
As crianças estão sempre procurando presentes. Não querem frutos de uma vida nova, mas presentes. Se um pregador vem à nossa Igreja, muita gente que não costuma freqüentar o culto regular acorre para vê-lo. As crianças todas correm para assistir aos dons espetaculares e ver pessoas famosas, da mesma forma como é próprio da criança gostar de assistir a espetáculos de mágica. Crianças gostam de show, de espetáculo. Mas só as pessoas maduras vão atrás dos frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, etc...
O materialismo também é um sintoma de infantilidade. As crianças não sabem o valor das coisas. Facilmente uma criancinha com uma nota de cinqüenta reais na mão a trocará por uma barra de chocolate. Os membros da Igreja demonstram sua infantilidade pelo seu desejo de coisas materiais (boas casas, bons carros, dinheiro, poder, sucesso, etc...) deixando as coisas espirituais em segundo plano.
A falta de operários é uma outra evidência de nosso eterno infantilismo. Não entendo como pode ser, mas há pessoas que passam dez, vinte anos na Igreja e ainda não sabem como levar uma pessoa a Cristo. A única coisa que sabem é convidá-la para uma reunião. Dizem: Por que você não vem à nossa Igreja?” Temos bancos confortáveis, tapete novo, aquecedor no inverno e ar condicionado no verão. Temos um bom pregador também. Não quer vir?”
Vinte anos para aprender a convidar uma pessoa para uma reunião! Depois cabe ao pastor levar essas almas a Cristo, alimentá-las com o leite da Palavra, e batizá-las. Paulo pouco batizou em Corinto. Disse ele: “Acho que nunca batizei nenhum de vocês. Ah! sim, acho que batizei Crispo e Gaio” (1Co 1:14).
Leia Atos dos Apóstolos e verá que Crispo foi o primeiro que Deus salvou em Corinto e Gaio foi o segundo. Parece que Paulo batizou os dois primeiros cristãos de Corinto e eles evangelizaram, discipularam e batizaram os outros. Por que? Porque Paulo estava fazendo discípulos. Ele não estava engordando a Igreja, ele estava deixando que ela se multiplicasse.
Mas nas nossas Igrejas os pastores estão sempre fazendo as mesmas coisas porque as pessoas não crescem. Nós pastores estamos sempre pregando o ABC do Evangelho. Todo Domingo as pessoas vêm ao altar. Nós as colocamos nas classes para os principiantes, damo-lhes aulas sobre a Igreja, batizamo-las (e depois começamos um outro grupo). Mas enquanto começamos um outro grupo, essas primeiras pessoas ficam perdidas porque não as conduzimos até à maturidade. Somos como parteiros que trazem as crianças ao mundo. Mas muitas dessas crianças “morrem” (deixam de seguir a Jesus) porque não as acompanha-mos até à maturidade. Geralmente perdemos num ano tantas pessoas quanto ganhamos. Quase todas Igrejas estão conquistando pessoas, mas poucas das conquistadas permanecem na Igreja. Não as podemos educar na Igreja porque só temos eternas crianças. Crianças membros da Igreja, mas que não crescem, que não se tornam discípulos, que não fazem outros discípulos capazes de ser e fazer mais e mais discípulos por sua vez.
(...) Deus me disse claramente: “Aumentar rol de membros não é crescer. Vocês tinham 200 membros infantis e sem amor, depois 300, 500 e agora 600. Todas sem amor. Isso não é crescimento, mas adição. O que você tem, Juan, não é uma Igreja; é um orfanato. Ninguém lá tem pai; são todos órfãos e você é o diretor do Orfanato. E a cada dia chegam novas crianças. Aos domingos você enche uma garrafa de leite e diz: agora abram a boca. E você pensa que está alimentando o seu povo. (...)Os pastores devem levar as ovelhas à maturidade: ao discipulado e ao ministério”.
Do leite à carne, eis a resposta!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A ASSEMBLEIA DE DEUS???

Veja este vídeo-denúncia e ore ao Senhor pedindo misericórdia pelos nossos irmãos desta importante igreja cristã, a Assembleia de Deus, que está sendo entregue à apostasia por líderes malignos.


Untitled from dumassena on Vimeo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

João Calvino e as Novas Revelações

Achei muito interessante a postagem feita no blog "Eleitos de Deus", www.eleitosdedeus.org, citando uma parte das Institutas da Religião Cristã, de João Calvino. Diante do que vimos Domingo na Rede Record sobre o movimento do cai-cai, vale lembrar que estas loucuras não são novas. Vejam o que Calvino falava sobre este assunto no século XVI. Boa leitura.


APELO DOS FANÁTICOS AO ESPÍRITO EM PREJUÍZO DA ESCRITURA

Além disso, aqueles que repudiam as Escrituras, imaginando que podem ter outro caminho que o leve a Deus, devem ser considerado não tanto como dominados pelo erro, mas como tomados por violenta forma de loucura. Recentemente, apareceram certos tipos de mau caráter que atribuindo a si mesmos, com grande presunção, o magistério do Espírito, faziam pouco caso de toda leitura da Bíblia, e riam-se da simplicidade dos que ainda seguem o que esses, de mau caráter, chamam de letra morta e que mata.
Eu gostaria de saber deles, porém, que Espírito é esse por cuja inspiração eles são levados a alturas sublimadas, a ponto de terem a ousadia de desprezar, como infantil e rasteiro, o ensino da Escritura. Se eles responderem que é o Espírito de Cristo quem os inspira, consideramos absurdamente ridículo esse tipo de certeza uma vez que eles, se concordam, como penso que o fazem, que os Apóstolos de Cristo e todos os fiéis, na Igreja Primitiva, foram iluminados por esse mesmo Espírito. O fato é que nenhum dos Apóstolos ou fiéis aprenderam desse Espírito a desprezar a Palavra de Deus. Ao contrário, cada um deles foi antes tomado de profunda reverência (para com a Escritura), como seus escritos o comprovam muito luminosamente. Na verdade, assim foi predito pela boca do Isaías, pois o Profeta não cerca o povo antigo com um ensino meramente externo, como se fosse para o povo como as primeiras letras, mas diz: "O meu Espírito que está sobre ti, e as minhas palavras que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca tua descendência..." (Is 59.21), considerando antes que a nova Igreja terá, sob o reino de Cristo, a verdadeira e plena felicidade, que consiste em ser regida pela voz de Deus, não menos que pelo seu Espírito. Concluímos daqui que esses fanáticos cometem abominável sacrilégio quando separam estes dois elementos que o Profeta uniu por meio de um vínculo inviolável.
A isto, acrescente-se que Paulo, não obstante ter sido arrebatado até o terceiro céu (II Co 12.2) - não deixou, entretanto, de aproveitar o ensino da Lei e dos Profetas, exortando também a Timóteo - mestre de projeção singular - a que se dedicasse à sua leitura (1 Tm 4.13). É também digno de ser lembrado aqui o que Paulo diz da Escritura: "Que ela é útil para ensinar, admoestar, redargüir, para que os servos de Deus se tornem perfeitos" (II Tm 3.16). Não será, portanto, diabólica loucura imaginar como transitório ou temporário o valor da Escritura, destinada a conduzir os filhos de Deus até a perfeição final?
Quero que esses fanáticos me respondam também o seguinte: Terão eles bebido de outro Espírito e não daquele que o Senhor prometeu aos seus discípulos? Ainda que estejam possuídos de loucura tão extrema, não os considero contudo, arrebatados de tão furiosa demência a ponto de terem a ousadia de gabar-se disso. Mas, ao prometer o Espírito, de que natureza declarou ele haver de ser esse Espírito? Na verdade, era um Espírito que não falaria por si mesmo, mas, ao contrario, sugeriria a mente deles e nela instilaria aquilo que ele mesmo, Jesus, havia transmitido por meio da Palavra (Jo 16.13). Portanto, não é função do Espírito que Cristo nos prometeu desvendar novas e indizíveis revelações, ou forjar novos tipos de doutrina, pelos quais sejamos desviados do ensino do Evangelho já recebido. Ao contrario, a função do Espírito é a de selar, na nossa mente, a mesma doutrina que o Evangelho nos recomenda.

A BÍBLIA É O ÁRBITRO DO ESPÍRITO

Se ansiamos obter algum uso e fruto da parte do Espírito de Deus, podemos entender facilmente como é imperioso para nós aplicar-nos, com grande diligência, tanto a ler quanto a ouvir a Escritura. É por isso que Pedro até louva (II Pe I.19) o zelo dos que estão atentos ao ensino profético, ensino que, todavia, depois de começar a brilhar a luz do Evangelho poderia parecer ter perdido a validade. Muito ao contrário, se algum espírito, desprezando a sabedoria da Palavra de Deus, nos impõe outra doutrina, devemos suspeitar com justa razão, de que seu ensino é vaidade e mentira (Gl. 1:6-9).
Sim, porque se Satanás se transforma em anjo de luz (II Co 11.14), que autoridade poderá ter o Espírito entre nós, se não soubermos discerni-lo por meio de sinal de absoluta certeza? E muito claramente a voz do Senhor no-lo tem apontado, mas esses infelizes (embusteiros) tudo fazem por extraviar-se, buscando a própria ruína, quando buscam o Espírito por si mesmos, ao invés de busca-lo por ele próprio.
Alegam eles que é ofensivo ao Espírito de Deus - a quem tudo deve estar sujeito -, ficar subordinado a Escritura. Como se fosse, na verdade, repulsivo ao Espírito Santo ser igual a si mesmo, por toda parte, ou permanecer de acordo consigo mesmo em todas as coisas, e em não variar em coisa alguma! De fato, se fôssemos obrigados a julgar de acordo com a norma humana, angélica ou estranha, então poder-se-ia considerar o Espírito como reduzido à subordinação, e até a servidão, se se preferir. Quando, porém comparamos o Espírito consigo mesmo, e em si mesmo o consideramos, quem poderá dizer que, com isso, o estejamos ofendendo?
Confesso que o Espírito, desse modo, é submetido a um exame através do qual Ele quis fosse estabelecida a sua majestade entre nós. Ele deve ficar plenamente manifestado a nós tão logo entre no nosso coração. No entanto, para que o Espírito de Satanás não nos persuada em nome do Espírito Santo, este quer ser reconhecido por nós na imagem que imprimiu de si mesmo nas Escrituras, pois sendo ele mesmo o autor da Escritura, não pode variar nem ser inconstante consigo mesmo. Portanto, do modo como nelas se manifestou, tem de permanecer para sempre. Isto não pode ser modificado, a menos que julguemos - como dignificante -, o Espírito abdicar e degenerar de si mesmo!

A BÍBLIA E O ESPÍRITO SANTO NÃO SE SEPARAM

Quando a acusação que fazem contra nós, de que nos apegamos demasiadamente à letra que mata, acabam eles incorrendo na pena de desprezarem a Escritura. Ora, salta aos olhos o fato de Paulo (II Co 3.6), estar contendendo com os falsos apóstolos os quais, insistindo na Lei separada de Cristo, estavam, na realidade, alienando o povo da Nova Aliança, na qual o Senhor prometeu que haveria de gravar a sua Lei nas entranhas dos fiéis, e imprimi-la no coração deles (Jr. 31:33), Portanto, a letra está morta e a Lei do Senhor mata a seus leitores, guando não apenas se divorcia da graça de Cristo, mas, também, não tocando o coração, atinge só os ouvidos. Se ela, porém, por meio do Espírito, se imprime de modo eficaz nos corações e manifesta a Cristo, ela é a Palavra da vida (Fl. 2:16), que converte as almas e da sabedoria aos símplices (Sl. 19:7).
 
Além disso, nessa mesma passagem (II Co 3.8), Paulo chama a sua pregação de ministério do Espírito, querendo dizer com isso, sem dúvida, que o Espírito Santo de tal modo se prende à sua verdade expressa na Escritura, nela manifestando e patenteando o seu poder, que nos leva a reconhecer na Palavra a devida reverência e dignidade. E isto não contradiz o que foi dito pouco atrás quando afirmamos que a Palavra não é absolutamente certa para nós, se não for confirmada pelo testemunho do Espírito, visto que o Senhor uniu entre si - como se fosse por mútua ligação -, a certeza de sua Palavra e a certeza do seu Espírito, de maneira que a firme religião da Palavra seja implantada em nossa alma, quando brilha o Espírito, fazendo-nos contemplar a face de Deus. Do mesmo modo, reciprocamente, abraçamos ao Espírito sem nenhum temor ou engano, quando o reconhecemos na sua imagem ou, seja, na Palavra! E, de fato, é assim!
Deus não deu a Palavra aos homens tendo em vista uma apresentação passageira, que fosse abolida assim que viesse o seu Espírito. Ao contrário enviou-nos o mesmo Espírito por meio de cujo poder nos deu a Palavra, com o fim de realizar a sua obra, confirmando eficazmente a mesma Palavra. Por isso, Cristo abriu o entendimento dos dois discípulos de Emaús (Lc 24.27, 45), não para que, pondo de lado as Escrituras, esses discípulos se fizessem sábios a si mesmos, mas para que fossem capazes de entender essas Escrituras. Igualmente Paulo, quando exorta os cristãos de Tessalônica (I Ts 5.19-20) a não extinguirem o Espírito, não os eleva as altura com vãs especulações fora da Palavra, mas acrescenta imediatamente que não se deveriam desprezar a profecias. Com isso, o Apóstolo diz, de maneira não duvidosa, que quando se desprezam as profecias, a luz do Espírito fica obscurecida.
Que dirão a respeito destas coisas esses fanáticos que consideram com validas apenas esta iluminação, desprezando e dizendo adeus a Divina Palavra, sem qualquer preocupação? Não menos confiantes e temerários são eles quando se agarram ambiciosamente a qualquer coisa que conceberam enquanto dormiam! Aos filhos de Deus, certamente, convém sobriedade bem diferente, pois eles, ao mesmo tempo que, sem o Espírito, se sentem privados de toda verdadeira luz, não ignoram, todavia, que a Palavra é o instrumento pelo qual o Senhor concede aos fiéis a iluminação do seu Espírito. Os fiéis não conhecem outro Espírito senão aquele mesmo Espírito que habitou nos Apóstolos e falou através deles, e desses oráculos os fiéis são continuamente convocados a ouvir a Palavra.

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Extraído: As Institutas da Religião Cristã, João Calvino - Livro I, Capítulo 9.

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/pentecostalismo/joao-calvino-e-as-novas-revelacoes-joao-calvino.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+eleitosdedeus+%28Eleitos+de+Deus%29#ixzz1dzvOQv4p
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Estranha graça: Philip Yancey e o homossexualismo

Amados irmãos e irmãs, tenho recebido perguntas constantes sobre o que acho da obra de Philip Yancey. Costumo dizer que não posso comentar, pois nunca li um livro deste autor. Até julgo os títulos interessantes, mas sempre me pareceu literatura água com açúcar. Em todo caso, hoje li um artigo que me chamou muito a atenção sobre uma posição defendida por este "irmão". Assim, o convido a ler e refletir. Que o Espírito Santo o ajude a compreender a verdade de Deus. Um forte abraço a todos.
Pr. Airton Williams
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Julio Severo
A Bíblia chama o pecado de pecado. Por exemplo, o homossexualismo é chamado de pecado e quem o pratica perde o direito de entrar no Reino de Deus.
“Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante”. (Levítico 18:22 NVI)
“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar:… nem homossexuais passivos ou ativos… herdarão o Reino de Deus”. (1 Coríntios 6:9,10 NVI)
No entanto, e quando uma igreja inteira crê diferente, minimizando as declarações da Bíblia ou então aceitando uma falsa realidade onde as condenações da Bíblia ao pecado não são o que são? Esse é o caso de igrejas cristãs gays, onde homossexuais praticantes que se consideram pastores interpretam a Bíblia não no temor de Deus, mas puramente na paixão de seus desejos sensuais.
E quando líderes evangélicos famosos, talvez tentando provar que são moderninhos, cheios de graça e amor, seguem o dogma politicamente correto da tolerância e diversidade e já não mostram disposição de condenar o pecado? Pior: e quando eles dão entrevistas para igrejas onde o pecado é celebrado como bênção em vez de maldição?
Não há dúvida de que uma igreja gay não tentaria entrevistar um cristão que crê e prega que Jesus liberta os homens do pecado homossexual. Tal entrevista poderia expor muitos à chance de conhecer a graça salvadora e libertadora do Evangelho. Mas quando uma igreja gay percebe que um evangélico famoso tem, de uma forma ou de outra, posicionamentos religiosos que se desviam do padrão bíblico, uma entrevista é uma possibilidade grande.

Uma entrevista reveladora

É o que aconteceu no caso de Philip Yancey. Ele deu uma surpreendente entrevista para Candace Chellew-Hodge, fundadora de Whosoever, uma revista eletrônica para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros... cristãos. Essa não é uma revista para cristãos que lutam contra tendências homossexuais, mas para que gays possam se sentir confortáveis e tranqüilos com seu pecado e ao mesmo tempo professar uma fé pretensamente bíblica.
Aliás, Candace argumenta ao explicar sua missão: “A homossexualidade, como conhecemos hoje, não é condenada em nenhum lugar da Bíblia”. Candace é pastora de uma igreja que aceita gays assumidos e não-arrependidos não só entre o povo, mas também na liderança.
A conversa entre Candace e Yancey, intitulada “Impressionado com a Graça”, é bastante amigável e mostra dois lados de uma mesma moeda: de um lado, alguém que está satisfeita com sua condição homossexual, não quer se arrepender nem mudar de vida, mas não abre mão de sua identificação cristã; do outro lado, um famoso escritor evangélico que está tranqüilo quanto a essa postura. As declarações a seguir são do próprio Yancey, em sua entrevista à pastora lésbica:
“Tenho freqüentado igrejas gays e lésbicas e fico triste que a maioria das igrejas evangélicas não tenha espaço para os homossexuais. Encontrei cristãos maravilhosos e comprometidos nas igrejas ICM (Igreja Cristã Metropolitana, uma denominação que defende o estilo de vida homossexual). Eu queria que as outras igrejas se beneficiassem da fé desses cristãos gays”.
“Durante anos, Mel White foi um dos meus amigos mais íntimos antes que ele me revelasse sua orientação sexual. (A propósito, ele ainda é meu amigo.)… Quando as pessoas me perguntam como é que consigo manter amizade com um pecador como Mel, responde perguntando como Mel consegue manter amizade com um pecador como eu. Mesmo se eu concluir que toda conduta homossexual é errada, como querem muitos cristãos conservadores, sou compelido a responder em amor”.
“No que se refere a assuntos de doutrinas, como a ordenação de pastores gays e lésbicos, fico confuso… Francamente, não sei a resposta para essas questões”.
“Obviamente, se uma igreja está dizendo que você precisa abandonar a orientação sexual, essa igreja precisa receber educação”.
“Já estive em igrejas gays e lésbicas cujo fervor e compromisso deixariam a maioria das igrejas evangélicas mortas de vergonha”.
Em outra entrevista igualmente reveladora ao site Interference, de fãs da banda U2, Yancey respondeu que seu autor favorito é Frederick Buechner. Buechner é pastor e teólogo da PCUSA, denominação presbiteriana liberal dos Estados Unidos. Essa denominação “abençoa” uniões homossexuais, e tal postura tem custado a perda de congregações mais conservadoras, que se recusam a abandonar os ensinamentos da Bíblia sobre o homossexualismo.
Buechner está em perfeita sintonia com sua denominação. Ele declarou: “Dizer que moralmente, espiritualmente e humanamente a homossexualidade é sempre má parece tão absurdo quanto dizer que nos mesmos termos a heterossexualidade é sempre boa, ou vice-versa”.
A predileção de Yancey por Frederick Buechner indica também uma sintonia. Isso mostra que Yancey não está sozinho em sua “graça”. Buechner e sua denominação parecem estar bem perto ou junto dele em pensamentos e ideais.

Graça sem transformação?

Em entrevista à revista Enfoque Gospel, Yancey assegura que seu compromisso com a tolerância e a diversidade (conceitos sagradíssimos na sociedade neopagã moderna) tem como motivação a graça e o amor:
Procuro não fazer um julgamento rígido sobre [o homossexualismo], porque, a partir do momento em que julga, você perde metade das pessoas que devem ouvir o que tem a dizer. Falo do que tenho certeza, e tenho certeza da maneira como devemos tratar as pessoas que fazem as coisas de uma forma diferente da que a gente faz e até mesmo com as pessoas que fazem coisas que desaprovamos fortemente. É isso que significa graça. Se alguém é igual a mim, não preciso de graça. Eu preciso da graça para quem é diferente de mim. Então, o que aprendi com o meu amigo foi que ele teve de ter muita graça em relação a mim, também, porque eu trabalho para a revista Christianity Today, que é uma revista que faz afirmações contra o homossexualismo. Então, é tão difícil para o Mel White ser meu amigo quanto é para mim ser amigo dele. Ao contrário de algumas pessoas, não acho que o homossexualismo seja uma opção, que Mel White e outras pessoas simplesmente decidiram ser homossexuais. É algo que está profundo na identidade dele, assim como a minha heterossexualidade é profunda em minha identidade. Não acordei pensando: “Acho que eu vou ser heterossexual.” Eu sou! Penso que com o Mel é a mesma coisa.
Não, Yancey não está falando de mostrar graça e amor para homens e mulheres que têm desejos homossexuais e querem se libertar de seu pecado. Ele está falando de homens e mulheres que estão determinados a viver no pecado homossexual e a defender sua escolha errada com interpretações distorcidas e cruéis da Palavra de Deus.
Ele fala de indivíduos que buscaram igrejas homossexuais para poderem exercer livremente seus impulsos sexuais. Ele está falando de pessoas que, com uma interpretação pervertida da Palavra de Deus, conciliaram o Cristianismo e o homossexualismo em suas mentes. Ele está falando de gays que namoram e se “casam” crendo receber a bênção de Deus.
Yancey se esquiva de dar respostas diretas, objetivas e claras sobre o homossexualismo. Ele prefere, diante do público e da fama, manter-se ambíguo, como se fosse possível conviver com a verdadeira graça sem experimentar nenhum tipo de transformação.
Será que Yancey já leu a primeira epístola de João? Será que ele crê na Bíblia? O quanto em Yancey é ignorância? O quanto nele é estratégia deliberada?
Yancey se esconde atrás da ambigüidade, mas a Palavra de Deus é muito objetiva e clara sobre o pecado homossexual. Crer que “a homossexualidade, como conhecemos hoje, não é condenada em nenhum lugar da Bíblia”, tal como afirma a pastora lésbica que o entrevistou, equivale praticamente a assumir uma fé esotérica ao atribuir significados diferentes a passagens tão claras como Gênesis 1:27, Marcos 10:6, Levítico 18:22, 1 Coríntios 6:9 e Romanos 1:18-32. Os esotéricos são aqueles que seguem orgulhosamente sistemas de crenças que dependem de conhecimentos e estudos especiais, fora de alcance dos simples. Mas a fé bíblica é para os simples. Nunca perca isso de vista.

Amor sem necessidade de obediência?

Onde não há obediência ao que Deus manda, não há fé verdadeira na Pessoa de Jesus Cristo. Em Deus, amor e obediência se complementam. É o que enfatiza o mesmo apóstolo João:
“Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos. Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados. O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”. (1 João 5:2-5 NVI)
Em sua primeira epístola, João — que é conhecido como Apóstolo do amor — faz a diferença entre dois tipos de postura diante do pecado. Na primeira, o pecador reconhece que é pecador, arrepende-se e luta com lágrimas diante de Deus para se santificar. É a postura dos cristãos: quedas ocasionais caracterizam sua jornada, mas ele tem a garantia da vitória final em Cristo. A eles o apóstolo diz:
“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. (1 João 2:1)
Na segunda postura, o pecador não reconhece que é pecador — pelo menos, não a ponto de desejar mudança. Continua insistindo nos mesmos pecados e jamais se arrepende. É a postura dos incrédulos que freqüentam igrejas. Precisam ser alertados e confrontados para que se convertam verdadeiramente. A eles João diz:
“Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu”. (1 João 3:6)
É certo que devemos ter paciência com os freqüentadores da igreja que ainda não se converteram. O ensino e a pregação da Palavra são poderosos instrumentos de mudança na vida das pessoas. Em outras situações, se conhecemos cristãos em pecado, é necessário exortar, com carinho, para que deixem o pecado.

A verdadeira graça transforma

O fator essencial de mudança é a graça de Deus.
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. (Tito 3:11-13 NVI)
A verdadeira graça de Deus não deixa ninguém atolado no pecado, nem é contrária aos mandamentos claros de Deus. A graça dele salva e nos ensina a renunciar ao pecado e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente. Com relação às graças estranhas que são vividas e pregadas por celebridades evangélicas, há quase 2.000 o Apóstolo Paulo já alertava:
“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. (2 Timóteo 4:3-4 NVI)
“Alguns se infiltraram no meio de vocês sem serem percebidos… Eles usam a graça de Deus como desculpa para a liberdade sexual…” (Judas 1:4 GW)
Infelizmente, os ídolos que o público segue não são apenas artistas e cantores que são imitados e viram moda. São também personalidades evangélicas que fazem sucesso por dizerem o que está na moda, por pregarem um “evangelho” agradável, sem compromisso, sem cruz, sem sangue, sem dor e sem libertação.
“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. (1 João 5:21)

Sucesso garantido pela ideologia

Yancey não é ídolo por acaso. Ele tem sido aclamado nos círculos cristãos esquerdistas do mundo inteiro. No Brasil, basta que se recite enfadonhamente o menu da esquerda para se virar ídolo. Qualquer evangélico que ouse contrariar essa ideologia atrai a ira das galinhas politicamente histéricas, que só se contentam com a Teologia da Libertação, que fatalmente liberta os homens da Verdade, roubando-lhes toda chance de salvação no Evangelho de Jesus Cristo. É por isso que Yancey não é alvo de crítica de evangélicos esquerdistas. Seu “evangelho” (ou seja lá o que ele chame sua pregação) traz uma graça colorida que não incomoda nem o diabo nem os esquerdistas nem o pecado.
E quando o pecado não incomoda, tudo se torna possível. O ultra-esquerdista Jim Wallis, presidente de Sojourners e amigo de Yancey, está participando de uma iniciativa de aproximação cristã aos muçulmanos. Não por acaso, o próprio Yancey tem essa maneira de pensar, conforme ele mesmo declarou na revista Christianity Today:
“Talvez nossa época precise de um novo tipo de movimento ecumênico: não de doutrina, nem mesmo de unidade religiosa, mas um movimento ecumênico que seja edificado no que judeus, cristãos e muçulmanos têm em comum… Aliás, judeus, cristãos e muçulmanos têm muito em comum”.
Em entrevista à revista ultra-esquerdista Sojourner, Yancey fez um comentário que revela que ele está consciente do que está fazendo. No comentário, ele próprio indica que as pessoas é que não estão conseguindo ver o que ele está fazendo! Ele diz:
Eu mesmo me surpreendo com o fato de que consigo escapar de críticas e rejeições pelas coisas que escrevo. Quando enviei meu manuscrito de “Maravilhosa Graça”, eu disse para minha esposa Janet: “Acho que provavelmente este é o último livro que o mercado evangélico vai tolerar de mim”. Meu livro tem um capítulo inteiro sobre Mel White, que é agora um ativista gay, e tem um capítulo inteiro sobre Bill CIinton, que não é o presidente mais favorecido dos evangélicos.
Mesmo se considerando evangélico, Bill Clinton é fã das obras do bruxo Paulo Coelho. Ele foi também o presidente mais pró-aborto e pró-homossexualismo que os EUA já tiveram. Apesar disso, num artigo em Christianity Today, Yancey elogiou Clinton como “um homem de fé num mundo que não tem consideração pela fé”. Elogiar o esquerdista Clinton e criticar o conservador Bush é atitude padrão para garantir a própria sobrevivência, sucesso e prestígio no meio da mídia esquerdista. Yancey tem feito as duas coisas.
No mundo secular, os esquerdistas são amigos de ativistas homossexuais. Por pura coincidência, Yancey tem a mesma inclinação. Mel White, amigo de Yancey, dirige o grupo homossexual radical Soulforce, que faz pressão para que instituições evangélicas conservadoras abandonem suas posições bíblicas e incorporem a agenda homossexual.
Não há dúvida de que ao defenderem e conciliarem o Cristianismo com comportamento homossexual, casamento gay, adoção de crianças por “casais” gays e ordenação de pastores gays, Mel White, Candace Chellew-Hodge e outros ativistas homossexuais encapuzados de cristãos estão pregando heresia. E a Palavra de Deus tem apenas um conselho para os cristãos genuínos lidarem com heresia:
“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o”. (Tito 3:10 ACF)
O problema não é que White e outros ativistas homossexuais “cristãos” sejam pecadores. O problema é que eles se dizem cristãos e estão determinados a usar a Bíblia para continuar no pecado homossexual. Eles não querem nada com arrependimento! De novo, a Palavra de Deus reforça o conselho de afastamento:
“Estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer”. (1 Coríntios 5:11 NVI)
No entanto, Yancey insiste em não admoestar nem evitar. Ele defende que manter amizade com um ex-evangélico que hoje militantemente promove e impõe a agenda homossexual sobre as igrejas evangélicas é mostrar graça e amor. Ele não vê como amor a orientação da Palavra de Deus em Tito 3:10 e 1 Coríntios 5:11.
Acerca dessa questão, Andy Comiskey, que dirige um ministério de resgate para pessoas que desejam abandonar o homossexualismo, diz:
“Yancey, autor de vários livros, apresentou White em seu livro What’s So Amazing About Grace?, exibindo White e sua amizade com ele como exemplo forte da graça de Deus. Embora o autor não abrace todas as escolhas de White, Yancey dá destaque a um homem que se tornou o mais influente cristão gay de nossa época. Inadvertidamente, o autor cria uma ponte maligna entre um falso profeta (White) e milhares de leitores que estão buscando clareza na área da homossexualidade. Talvez o fato de que Yancey tenha incluído White em seu livro seja exemplo de alguém que “se introduziu com dissimulação” em nosso meio a fim de “transformar em libertinagem a graça de nosso Deus” (Judas 4).”
A graça de Yancey ensina a aceitar os pecadores não-arrependidos sem necessidade e abertura para salvação e libertação, e sem nenhuma necessidade de admoestar e evitar os que defendem o homossexualismo com argumentos bíblicos.
Entretanto, existe uma verdade biblicamente inegável, que supera todas as fantasias que cultivemos sobre a graça: Quem conhece de fato a graça de Deus muda de vida. Quando era homossexual, Andy Comiskey conheceu essa graça. Depois de experimentá-la, ele abandonou o homossexualismo e agora se esforça para transmitir aos seus amigos a graça que salva e liberta. Hoje ele faz o que pode para alertar contra o perigo da graça sem a verdade, onde ele destaca três expoentes desse tipo de graça: Brennan Manning, Lewis Smedes e o próprio Yancey.
O testemunho ambíguo e fácil de Yancey faz multidões de fãs e deixa os pecadores homossexuais confortáveis e tranqüilos em sua condição. E deixa o próprio Yancey confortável e tranqüilo na fama, no bolso e na vendagem de seus livros. O testemunho do ex-homossexual Comiskey simplesmente os desafia a experimentar a mesma transformação que ele próprio recebeu.
A graça que transforma é inconfundível e inigualável.
Fonte: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.c

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PASTOR OFICIO OU DOM? - Rev. Labieno Palmeira Filho

Ainda que eu, particularmente, faça algumas ressalvas ao artigo abaixo, creio que a leitura dele será pertinente para provocar uma profunda reflexão do que seja o pastorado, visto que,em nossos dias, tem se tornado mais um profissão para muitos, ou um título sócio-eclesiástico que garante poder, do que um chamado a ser servo de Cristo. Boa leitura. Pr. Airton Williams.
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PASTOR
OFICIO OU DOM?
         Este assunto tem ocupado muito espaço no meio evangélico, tanto naquilo que se refere ao conteúdo teórico das igrejas, como naquilo que se refere à vida administrativa e prática das mesmas.
         O senso comum tanto no âmbito da religiosidade como no da sociedade no geral, e, via de regra, até político, tem uma visão da figura do pastor como sendo o líder maior de alguma comunidade religiosa de caráter cristão. Ser pastor significa ser líder! Traduzindo-se naquele que conduz um grupo de pessoas, alguém que assina e responde pela igreja. O Pastor é aquele que faz o papel de ponte política e social da igreja com a qual trabalha!
         Como legitimação das funções pastorais, a religiosidade é condicionada a estabelecer normas eclesiásticas que justifiquem o forjamento dos noviços ou seminaristas durante o tempo de seminário até a devolução destes à comunidade onde atuarão como legítimos e autorizados pastores, tendo os seus diplomas de bacharéis em teologia, seguido de sabatinas e estágios até serem ordenados com imposição de mãos dos pastores e lideres constituídos em concilio ou assembléias.
         Ao assumirem a frente de uma igreja local, estes pastores, seguem o processo do oficialato pelo qual passaram. Precisam ser pastores de oficio. Precisam assumir todos os encargos que o oficio religioso, social e político requer do cargo e da função que receberam. Foram formados, diplomados, credenciados e entregues à sociedade.
         Como pastor de oficio, possui o direito a salário e a algumas prerrogativas que também foram construídas religiosamente para que aos poucos, fossem assimiladas socialmente. O pastor por oficio tem, pela maioria das igrejas, a primazia na realização do batismo, do casamento religioso com efeito civil, da ministração da ceia, do ensino, da pregação, do velório, e das atividades comunitárias dentro e fora da igreja. Torna-se líder dos lideres!
         Os pastores por oficio estão se multiplicando dia a dia! Os seminários estão cheios e sempre existem candidatos! É um passo garantido para um emprego ou para a realização de determinadas praticas que garantem um bom e rendoso sustento com certa garantia de mercado de trabalho! Sempre há igrejas precisando de pastores e quando não há mais igrejas para se trabalhar, pode-se facilmente abrir o próprio negocio, ou abrir a própria igreja!
         Não existem critérios bem estabelecidos no governo secular e nem no mundo eclesiástico para o surgimento de novas igrejas. Qualquer pessoa pode se tornar em pessoa jurídica e religiosa!
         Existem países que para se abrir uma igreja é preciso seguir um processo bem direcionado e com algumas exigências que intimidam muitos a continuarem com tal idéia!
         Muitos pastores por oficio são pessoas boas e dotadas de alguns dons! Embora sejam bons e dotados com dons específicos, precisam assumir muitas outras atividades que não têm nenhuma afinidade com seus dons e habilidades, mas precisam desempenhá-las simplesmente pelo fato de serem pastores de oficio. Isso danifica a igreja e o prejudica como pastor e como gente, pois o desgasta por demais e desnecessariamente. Alguns são excelentes pregadores, por outro lado, péssimos professores ou mestres. Outros são ótimos mestres e possuem ótima didática, mas são sofríveis no púlpito como pregadores. Outros são bons no ensino e na pregação, mas péssimos na administração da igreja. O cobertor eclesiástico é curto ou pequeno para os pastores de oficio, ou seja, quando lhe cobre uma parte do corpo, deixa outra parte descoberta. A luta é constante! A luta é frustrante! A igreja sofre, o pastor sofre, a comunidade sofre, a sociedade sofre, os povos e as nações sofrem com esta esquizofrenia entre o pastor e a igreja!
         Na literatura cristã existem livros e mais livros editados para ajudarem os pastores de oficio a lidarem com esta tarefa brutal e insana de serem superpastores para satisfazerem suas igrejas locais e fazerem jus ao salário que recebem. As literaturas desta linha ainda citam exemplos de pastores bem sucedidos que conseguiram vencer seus gigantes, e, estas citações servem apenas para deprimir ainda mais aqueles que são vulneráveis no cargo pastoral.
         Neste afã de buscar a sobrevivência pastoral e conseguir a tão sonhada utopia de ser um pastor de oficio plenamente realizado e completo, não são poucos aqueles pastores que saem à busca de pacotes de sucesso ou de crescimento instantâneo de igrejas, crendo eles, que se apenas um destes pacotes derem certo em sua comunidade local, eles não precisarão mais ter invejas de outros pastores, mas passarão a serem provocadores de invejas em outros. Eles buscam não o crescimento legitimo para suas igrejas, ao contrario, estão buscando a salvação deles mesmos neste árduo caminho de serem pastores de oficio.
         Uma estratégia adotada para amenizar esta distorção é a contratação de vários pastores auxiliares, estes, chegam para tamparem os espaços que o cobertor deixou de cobrir. Alias, a bem da verdade, não se dá pra saber com propriedade se o cobertor é a igreja e esta não cobre o pastor, ou, se o cobertor é o pastor que não consegue cobrir a igreja toda. Difícil de entender! De qualquer forma esta estratégia de buscar novos tapadores de buraco não resolve o dilema do pastor de oficio, pois no frigir dos ovos, tudo isso acaba como tendo um numero grande de caciques para poucos índios.
         O que se deve perguntar agora é o seguinte: (1) Este modelo de pastor por oficio é correspondido na bíblia? (2) O pastor por oficio ainda responde a demanda eclesiástica e societária que vigora atualmente? (3) O que acarretaria com a substituição do pastor por oficio pelo pastor por dom?
         Vamos às respostas!
(1)  Este modelo de pastor por oficio é correspondido na bíblia?
A bíblia toda, no seu antigo testamento como no seu novo testamento, mencionam o papel do pastor. A figura do pastor está presente nos tratos com as ovelhas, numa analogia ao trato de Deus com Israel. Os profetas no antigo testamento foram exemplos lúdicos de Deus para explicitar este estereotipo do pastor!
No novo testamento o próprio Cristo assume este estereotipo de o bom pastor. Os evangelhos narram isso! Cristo ao concluir o seu processo de discipulado com Pedro o faz declarando que Pedro a partir daquele momento estava em condições de pastorear as ovelhas do Senhor, exercendo assim, todas as conhecidas funções de um pastor, ou seja, guiar, proteger, apascentar, exortar, sarar, contar, buscar, conduzir pra dentro do aprisco e para fora para acharem pastagem e se alimentarem. Os apóstolos com certeza assumiram os ensinos tanto do antigo testamento como dos evangelhos e do próprio Cristo.
Embora a Bíblia toda mencione as funções e propriedades de um pastor, não se encontra na mesma Bíblia nenhuma alusão à imposição de mãos sobre os pastores. A Bíblia também não apresenta nenhuma narrativa que possa corroborar com o modelo de pastor oficio que se acha presente nas igrejas do presente século.
Os únicos oficiais (pessoas separadas para o exercício de algum oficio no seio da igreja, por isso, são publicamente empossados com a imposição de mãos) são os diáconos e os presbíteros (estes, os presbíteros, a Bíblia os diferencia em presbíteros que se encarregam apenas do ensino da Palavra de Deus e os que se encarregam da vida cotidiana da igreja, administrando os interesses comuns dos membros da igreja). Apenas estes dois ofícios são reconhecidos no novo testamento. Religiosamente convencionaram-se chamar de pastores os presbíteros e com isso, em especial, àqueles que se encarregam do ensino da Palavra. O problema é que de acordo com a língua grega, a palavra presbíteros pode ser usada como sinônima da palavra bispo, mas não há equivalência lingüística para pastores. Explicando melhor, quem é presbítero ou bispo fazem sim a função de pastores como a Bíblia toda já explicitou, mas não são pastores por oficio ou porque o nome de presbítero ou bispo lhes dá esta possibilidade de serem chamados pastores.
Chamar um presbítero que lida com o ensino da Palavra, de pastor, e dar a este, prerrogativas como: batizar, casar, ministrar a ceia, ser líder maior numa igreja local, e tantas outras atribuições, são construções religiosas convenientes que foram ocupando os espaços dentro e fora da igreja. A Bíblia não dogmatiza que os pastores devam batizar, ministrar a ceia e realizar tantas outras praticas na igreja. Ao contrario disso, a Bíblia assevera que todo e qualquer discípulo de Cristo está livre para adorar ao Pai em espírito e em verdade.
Paulo na sua carta aos efésios, quando fala sobre a igreja, ele diz que em cada igreja deve existir: PROFETAS, EVANGELISTAS, APOSTOLOS, MESTRES E PASTORES. Ele não fala sobre ofícios! O contexto no qual o apostolo fala se refere a dons! Paulo está afirmando que as igrejas devem ter pessoas (podendo ser homens ou mulheres, pois se refere a dons e os dons podem ser distribuídos pelo Espírito Santo a homens e mulheres) que possuam estes dons. É bom que as igrejas possuam pessoas com muita diversidade de dons, mas pelo menos, estes cinco dons se fazem prioritários em cada igreja. Paulo articula a idéia de que ser pastor é como alguém que tem o dom pastoral como aparece em toda a Bíblia. Pastor não é a igreja que faz, não é feito pelo seminário, não é feito por um diploma, não é feito por um concilio que impõe sobre ele suas mãos. Pastor não é forjado! Em instancia, ser pastor é dom espiritual! O Espírito Santo é quem separa alguém de dentro da igreja e dispensa sobre ele o dom de ser Pastor, a partir deste momento, nada impede que este pastor por dom, faça um seminário, diplome-se em qualquer área e seja sustentado pela igreja para exercer o seu pastoreio. Ele só será eficiente e eficaz no exercício do seu dom e em tudo aquilo que o dom dele se aplica. E a igreja precisa entendê-lo e assimilá-lo como alguém que tem o dom de pastor e ponto final! Os outros terão outros dons e suprirão as necessidades da igreja e da sociedade naquilo que os seus dons serão pertinentes.
Se este pastor com o dom de pastor for eleito para ser um presbítero que se encarrega da Palavra ele poderá ser chamado de presbítero com o dom de pastor e da palavra. Pois uma pessoa pode receber do Espírito Santo o dom de pastor e o dom de mestre, ou ainda, o dom de pastor e outros dons. Mas é preciso entender de uma vez pra sempre que ele será pastor não por oficio, todavia, será feliz sabendo que é pastor por causa do dom que recebeu do Espírito Santo, e, sendo eleito presbítero, ele será um oficial como presbítero e um pastor como dom.
A Bíblia não endossa o pastor por oficio principalmente no que se entende hoje como ser pastor. O dom de pastor é desconhecido por muitos pastores que hoje são simplesmente pastores por oficio. Seria esta uma boa explicação para responder os muitos problemas dentro das igrejas hoje? Seria isto uma boa diagnose para se entender o porquê das frustrações e depressões nos meios dos pastores?
Existem muitas correlações com estas variáveis que podem nos levar a vários diagnósticos e a varias conclusões.
(2) O pastor por oficio ainda responde a demanda eclesiástica e societária que vigora atualmente?
Esta pergunta é intrigante, pois ela carrega em si mesma muitas outras considerações que poderiam ser feitas. Percebe-se certo desgaste com a figura social e eclesiástica que o pastor representa.
Na sociedade a figura de pastor de oficio já não é tão respaldada no comercio, nas vendas parceladas, e na vida política, os pastores por oficio representam uma orla de pessoas vulneráveis e votos comprados. No meio eclesiástico tem surgido outros títulos como Apóstolos, Arcanjos e outras titulações que ainda poderão surgir, e isso, é um diagnostico claro de ser entendido como um desgaste da figura simples do pastor de oficio. Ser pastor de oficio hoje tem causado desgastes em diferentes proporções e nas diversas escalas da sociedade. Os pastores de oficio sabem exatamente o que está sendo dito aqui, por isso, muitos lutam para serem mais do que simplesmente pastores de oficio, pois sabem que há uma descarga muito elevada de falta de credibilidade sobre esta figura nos meios societários. Muitos estão a fim de buscarem qualquer recurso que possa ajudá-los a serem mais do que são como pastores de oficio, mas são poucos aqueles que reconhecem que serão em vão estas buscas, pois continuarão sendo oficiais e não pastores por dotação do Espírito Santo.
Muitas são as igrejas que existem sem pastores algum à frente delas pois elas são compostas de ex-membros de igrejas que se decepcionaram com os pastores e lideres, e hoje, estão soltos e desgarrados como ovelhas sem pastores. Se tivessem tido pastores dotados com os dons de pastor com certeza estas igrejas de desgarrados não seriam tão grandes.
As igrejas com pastores de oficio são como as televisões com sinais analógicos, ou seja, tem algo que não permite a imagem ser tão clara e tão cheia de recursos. As igrejas com pastores dotados com dons pastorais são como as televisões de sinal HD, com belas imagens e ótimos recursos.
Tudo que tem o toque e o sopro do Espírito Santo é melhor, mais claro, mais eficiente e produz glória a Deus e edifica os santos para que os santos desempenhem os seus serviços. Esta é a linguagem de Paulo em Efésios.
Bênção!
(2)  O que acarretaria com a substituição do pastor por oficio pelo pastor por dom?
Só se saberá a resposta desta pergunta quando começar a existir mais e mais exemplos acontecendo ao mesmo tempo e em diferentes lugares. Os resultados precisam acontecer para que se possa avaliar!
Alguns resultados são previsíveis, tais como: igrejas mais sadias, crentes com os dons de pastores mais realizados e frutíferos, uma igreja mais carismática por causa dos crentes que exercem seus dons no corpo de Cristo e uma igreja menos oficializada com pastores por oficio. Os dons serão notabilizados e os crentes serão todos dotados com seus dons específicos, e, para a alegria de todos, a igreja será mais bem edificada, pois os dons existem para a edificação do corpo.
Pastor com dom e que pastoreia por causa do dom recebido, não se deixará levar pelas circunstancias. Pastor com dom só se preocupa em pastorear e ele faz isso com ou sem salário, com ou sem imposição de mãos, com ou sem diploma, com ou sem especialização, com ou sem mestrado, com ou sem doutorado, com ou sem carteira de ministro, com ou sem templo, com ou sem titulo. Ele faz porque recebeu o dom de pastor e ele vive por causa deste dom que recebeu. Ninguem pode lhe obstruir no exercício deste dom. Ninguem pode lhe tirar este dom, nem um concilio, nem uma denominação, nem uma enfermidade, nem a falta de recursos. Ele tem o dom de ser pastor e não o oficio de ser pastor, pois quem tem o oficio pode perder o oficio a qualquer hora, mas quem tem o dom tá seguro.
As igrejas precisam urgentemente voltar ao processo do reino de Deus onde o Espírito Santo é quem rege sobre a igreja. Os pastores precisam entender que ser pastor é ser dotado pelo Espírito Santo para isso. A igreja precisa encontrar-se pneumaticamente com o pneumatos!A igreja carece urgentemente dos carismáticos para voltar a ser uma igreja que funciona carismaticamente! Não me refiro aqui a ser ou não pentecostal ou renovada! Refiro-me a uma igreja dinamicamente (empowerded) pelos dons certos nas pessoas certas para fazerem o que certo pela causa certa e com a certeza de que agora vai dar tudo certo! Uau, que tanto de redundância! Bênção!
Este texto é apenas para aguçar os leitores a pensarem mais sobre este assunto. É para atiçar aqueles apologistas de plantão a fim de que coloquem seus argumentos favoráveis ou desfavoráveis ao que foi exposto aqui. Não foi colocado aqui textos bíblicos com suas referencias e nem citações de autores  pois a intenção foi de gerar inquietação aos leitores para buscarem por si mesmos tais referencias e citações pois assim poderão mais uma vez se debruçarem sobre a Bíblia e a literatura crista para crescimento e uma vida didática.
Aos pastores e amigos deixo com este artigo minha destra de cumplicidade e de coragem para que possamos avançar no ministério não como pastores por oficio, mas como pastores dotados com o dom que somente aqueles que o possuem, e sabem o quão maravilhoso é ser pastor e se envolver com ovelhas. Aos pastores de oficio deixo aqui a minha perturbação e a minha palavra de exortação a que descubram se possuem ou não o dom de pastor e se não o possuem, por favor, deixem o pastorado de oficio por amor a vocês mesmo e por amor à igreja.
Quem me conhece e caminha comigo sabe que eu não prego, não ensino e nem escrevo apenas para criar problemas, mas sim para levar perturbação!
A quem possa interessar então se sinta perturbado!
No amor e na causa do supremo pastor por excelência, JESUS CRISTO!



LABIENO MOURA PALMEIRA FILHO
Igreja Remidi (REINO, MISSÃO E DISCIPULADO)
Missionário do Pronasce
Somos um projeto de missão integral
Goiânia, Julho de 2011




        
        

domingo, 14 de agosto de 2011

ENTREVISTA COM O PR. AIRTON WILLIAMS - IGREJA EPISCOPAL CARISMÁTICA DO BRASIL - BRASÍLIA/DF: 2 ANOS DE POSTAGENS...

Há exatos dois anos, postávamos nosso primeiro texto: "Não andei ansiosos com coisa alguma".
Texto produzido pelo nosso Pastor, Airton Williams, enquanto de férias pelo nordeste brasileiro.
Hoje, depois de muitas caminhadas estamos aqui, com a Graça de Deus, firmes com nosso propósito de disseminar Sua Palavra. Estamos certos de que não escolhemos um caminho fácil, mas se olharmos para o sacrifício de Cristo e do seu amor por nós, nossa jornada será mais amena.
Para comemorarmos estes dois anos de blog, resolvemos fazer algumas postagens com alusão ao primeiro post de nosso blog e, aproveitando a consagração de 4 pastores da nossa igreja em Brasília, pedimos a 3 deles que escrevessem um pouco sobre o que eles esperam desta nova caminhada como pastores da Igreja Episcopal Carismática de Brasília. Além destes textos, que em breve serão postados, começaremos com uma entrevista com o Pastor Airton, que falará sobre a sua jornada como Pastor Episcopal.
Esperamos que vocês possam ser alcançados pela Graça de Nosso Senhor e que sejam abençoados por Ele. Fiquem com Deus e um grande abraço a todos.

Blog: Quando vc escreveu este texto, vc já era Pastor Episcopal. O quanto isto influenciou no seu texto? Quando eu escrevi “Não andeis ansiosos”, estava atravessando um momento curioso na minha vida. Até maio de 2009 trabalhei como professor da Faculdade Evangélica de Brasília, lecionando na área de línguas bíblicas e análise exegética da Bíblia. Ganhava razoavelmente bem. Em maio, quando fui ao cursilho e o Senhor falou comigo que era hora de voltar a pastorear, as coisas mudaram radicalmente para pior. A faculdade havia sido vendida,em Abril, e a partir de maio nossos salários não foram pagos. Quando escrevi o artigo estava a 3 meses sem salário, em Tabira-PE, e sem dinheiro para voltar para Brasília, vivendo à custa da minha sogra, naquele momento. Quando saí para a caminhada que inspirou aquele artigo, orei ao Senhor procurando entender o que estava acontecendo. Parecia-me estranho que, naquele momento em que tinha decidido voltar a pastorear, minha situação financeira complicasse do nada. Ali, Deus me ensinou, em definitivo, a confiar nele. Foi o que fiz. Como todos em nossa Igreja sabem, não recebo salário pelo meu trabalho. Nem naquela ocasião pedi remuneração. Decidi confiar em Deus, como ele me falara na caminhada que fiz. Foram 6 meses passando apuros financeiros, mas sendo suprido em tudo que precisava. O dia derradeiro desta prova foi em janeiro de 2010, quando desci a escada da casa pastoral, mesmo lugar em que congrega a igreja, olhei para minha esposa que cozinhava, vi meu filho brincando e subi para chorar, porque eu não tinha mais nenhum centavo para o dia seguinte. Guardei aquilo para mim, confiando em Deus. Naquele dia, dois irmãos, Atadeus e Teresa foram usados por Deus para me socorrer. A partir daquele dia Deus passou a nos abençoar financeiramente. Então, entendi de vez o que estava acontecendo. Quando Deus me falou, no cursilho de maio de 2009, que era hora de voltar, ele me colocou num novo deserto, a fim de me ensinar a confiar sempre nele, pois assim a igreja e a SEBI (instituição de ensino teológico que hoje presido) cresceriam, em total dependência dele.

Blog: Durante estes dois anos, você teve que lidar bastante com a pergunta: “o que vc está fazendo numa igreja católica?” Qual foi a sua maior dificuldade em lidar com esta situação? Nunca tive dificuldade em lidar com a ideia de ser católico. Sou de origem presbiteriana e confessávamos o Credo Apostólico, que diz: “creio na santa igreja católica”. A única coisa que me incomoda é ver tamanha ignorância teológica e histórica dos protestantes e evangélicos atuais que desconhecessem a natureza da verdadeira igreja de Jesus, a saber, uma igreja una, apostólica e católica. Todos que querem ser, verdadeiramente, cristãos, terão que assumir que são católicos, pois não estão presos à ideia de uma igreja denominacional, mas uma igreja com múltiplas formas de existência mas que caminha fiel a Cristo e sua Palavra. Como já disse num vídeo explicativo, somos católicos porque cremos numa igreja que é universal, manifesta nos mais diferentes grupos da fé cristã. Não somos católicos romanos, pois não nos sujeitamos à autoridade do papa de Roma e nem aos dogmas da tradição eclesiástica romana. Blog: O que você diria para alguém que vê a Igreja Episcopal como uma igreja católica? Primeiro, que estude a teologia bíblica e a história do cristianismo e deixe a ignorância; segundo, que conheça a própria Igreja Episcopal Carismática, leia a nossa doutrina, participe de um culto conosco dando atenção ao conteúdo, em vez de ficar olhando para a forma. Se nossa mensagem não for evangélica, então terá direito de criticar. Agora, criticar por causa da forma, é assinar atestado de preconceito.

Blog: Qual foi o maior desafio enfrentado pela Igreja Episcopal em Brasília? Creio que o maior desafio continue sendo manter-se fiel às Escrituras, não cedendo às pressões daqueles que acham conhecer a verdade de Deus por meio de suas experiências. Em 2010 o reverendo Dejacir teve o privilégio de ouvir nosso patriarca, Craig Bates, falando aos pastores do Brasil, onde dizia que ouviríamos muito que deveríamos ser mais batistas, ou mais pentecostais, ou mais católicos. Mas que nosso desafio sempre seria o de sermos fiéis a Deus por meio das Escrituras. Pensar nossa fé e nossa prática totalmente a partir das Escrituras, é um desafio permanente para as Igrejas que queiram servir com fidelidade a Deus.

Blog: Nós que conhecemos a sua jornada, sabemos das dificuldades e da sua reticência em se tornar pastor episcopal. O quanto o cursilho foi determinante nesta sua decisão?
Como você bem colocou, até o cursilho de maio de 2009 eu relutei muito em aceitar o convite para voltar a pastorear. Em 2007 Deus havia me levado a um deserto de muitas dores para curar meu coração de pecados que lutavam dentro de mim. Perdi a confiança de muitos, a credibilidade ministerial; perdi amigos, perdi tudo. Mas não perdi ao Senhor, aceitando toda a disciplina que ele me impôs. No final de 2008 eu já tinha saído do deserto, mas não queria voltar ao pastorado. Somente fui ao cursilho por insistência do nosso Arcebispo e Primaz, Dom Paulo Garcia. E foi ali, naquele santo lugar, que o Senhor veio ao meu encontro, me fez entender que era hora de voltar. No cursilho, Deus tratou de algumas coisas ainda não resolvidas em meu coração. Sou grato a Deus pela vida do reverendo Alexandre Lins, da paróquia de Caruaru-Pe, ex-aluno no programa de mestrado em Novo Testamento, que tanto insistiu para que eu viesse para a Igreja Episcopal e que me apresentou a Dom Paulo; também sou grato ao nosso Arcebispo por acreditar que um homem caído, morto em seu pecado, pode ressuscitar no poder do Espírito Santo, e ser restaurado ao seu chamado.
Blog: Uma vez, diante da pergunta do porquê abrirmos uma igreja episcopal em Brasília, uma vez que bastaria apenas que o grupo formado abrisse uma igreja qualquer e juntos congregasse na mesma fé professada, a sua resposta foi que isto seria rebeldia, que se a nossa igreja não tivesse nada de diferente para oferecer, seríamos apenas mais uma igreja em pecado. O que você diria para as pessoas que abrem igrejas de maneira indiscriminada, sem olhar para a Palavra de Deus, apenas porque estão com alguma discórdia dentro de suas igrejas? O que eu diria? Que se arrependam da soberba do coração que os faz acreditar que são donos da verdade, e que nenhuma outra igreja pode suprir suas expectativas.
Blog: Você sempre fala das suas experiências como seminarista ou como pastor presbiteriano. Qual a sua grande experiência como Pastor Episcopal? Eu não saberia pontuar a “grande” experiência, mas poderia pontuar algumas. Primeiro, é na Igreja Episcopal Carismática do Brasil que Deus está me dando a oportunidade de recomeçar meu ministério, e quando vejo o crescimento consistente, bíblico e maduro dos membros de nossa paróquia, não tenho como não agradecer a Deus por fazer parte deste projeto. Foi na Igreja Episcopal que pude desenvolver um ministério à luz do que, de fato, acreditava: uma igreja bíblica, litúrgica, sacramental, comprometida com o reino de Deus em toda a sua magnitude, o serviço a Deus e ao próximo. Em 2 anos de ministério estamos com 3 missões em andamento, Planaltina, Araraquara, Goiânia, e mais uma nova paróquia, na Asa Norte. São 4 novos pastores ordenados em nossa região. Além de inúmeras histórias que temos a contar juntos, de tantas experiências que já vivemos juntos.


Blog: As pessoas falam que, como igreja, somos muito frios - não damos glória a Deus, não gritamos aleluia - durante os cultos; alguns até se sentem “intimidados” pela nossa maneira de cultuar ao Senhor. Você acha que eles estão certos? O “calor” de um culto não se faz sentir pelas manifestações emocionais que expressamos durante o mesmo. As manifestações emocionais podem ser de vários fatores, entre eles, o mais comum, é a catarse psicológica; pessoas chegam machucadas, desesperançadas, ouvem uma palavra que lhes toca o coração naquela situação, ou uma música, e acham que isto é o toque de Deus. Daí dão glória, aleluia, etc., mas quando terminam o culto, voltam vazias para as suas casas, não levam nada em seus corações que, de fato, produzirá mudanças. Ou sejam, elas deixam algo no culto (suas emoções feridas), por isso se sentem leves, mas não levam nada que as preencha, a não ser esperanças vazias. O “calor” do culto se faz sentir pela confrontação da Palavra com nossas vidas, que nos faz refletir em nossos pecados e nos chama à santidade no viver com Deus. Não consigo imaginar pessoas sendo confrontadas e transformadas em seu caráter, mediante a exposição da Palavra, dando glória a Deus, aleluia; pessoas quando são confrontadas pela santidade de Deus e sua Palavra, e a pecaminosidade do próprio coração costumam dizer: “perdoa-me, ó Deus”. Cultuar é sempre um encontro com o Deus que é Santo, Santo, Santo, e isto não é uma festa, mas uma contrição. Lamento por aqueles que confundem o calor da presença de Deus com gritos e barulhos, e não com a transformação do coração segundo à vontade do Senhor.
Blog: Outras pessoas acham que somos muito irreverentes, que não somos uma igreja séria. Isto é verdade, porque tanta confusão? Os que nos acham irreverentes não nos conhecem, se andassem conosco saberiam quão à sério levamos as coisas de Deus, a realidade do pecado e a necessidade do redentor, Jesus. Agora, imagino que pensem esta besteira porque estão acostumadas com igrejas legalistas, cheias de regras, que estabelecem o que pode e o que não pode na conduta cristã, em vez de investirem no crescimento espiritual dos seus membros para que eles possam discernir, biblicamente, o que pode e o que não pode. São pessoas acostumadas a serem manipuladas por líderes que se fantasiam de deus e ditam a forma como elas devem viver. Há tanta bizarrice no meio evangélico que é chamada de “séria”, como a tal da cobertura espiritual, a lei da semeadura, e etc., que prefiro ser considerado por estes como irreverente do que me sujeitar as bobagens desta geração evangélica sem Cristo, sem arrependimento, sem conversão, sem Palavra. E espero que nossa igreja seja assim também, aprendendo a viver por direção do Espírito Santo, mediante um exame sério das Escrituras, e não por conta dos mitos e lendas de tantos falsos profetas.
Blog: Como você avalia o crescimento da igreja em Brasília? Antes de responder diretamente a esta pergunta, vale uma observação: não me preocupo com crescimento de igreja, pois quem dá o crescimento é Deus. Preocupo-me em estar sendo fiel a Palavra dele, quer pregando, quer vivendo. Se o crescimento fosse parâmetro da bênção de Deus, o remanescente fiel de Israel seria o grupo errado; o cristianismo primitivo seria uma mentira; a reforma protestante uma distorção, e por aí vai. O cristianismo fiel sempre foi uma minoria, e sempre que cresceu exageradamente, se perdeu, por se acomodar à cultura de sua época, buscando aceitação. Pois bem, tendo feito esta observação, creio que o crescimento de nossa igreja é muito bom. Há 2 anos atrás começamos com 12 pessoas, sendo 3 crianças. Hoje, temos aproximadamente 70 confirmados (membros efetivos). Percentualmente, crescemos 500%; há dois anos éramos uma missão (congregação) em Brasília, hoje temos 2 paróquias e 3 missões, ou seja, crescemos 4 vezes mais. São números interessantes, mas tudo isto é tolice, pois o que importa é saber se estas pessoas estão em Cristo, salvas, comprometidas com o reino de Deus, transformadas em seu caráter. Deus me livre de começar a ver pessoas como números. Quero conhecer uma por uma pelo nome, e mais do que lhes ser pastor, ser uma amigo.
Blog: você recebe muitos convites de outras igrejas para cursos, palestras, ou mesmo para pregar; a que você atribui estes convites, uma vez que, em geral, a linha destas igrejas bate de frente com o que é pregado? Este é um fato realmente interessante. Neste ano tive que brecar minha agenda e atender somente uma igreja por mês, e isto aos sábados, a fim de não atrapalhar minha vida familiar e meu ministério na igreja local que pastoreio. Eu costumo brincar com a quantidade de convites dizendo que sou convidado porque não cobro cachê, me tornando uma alternativa barata para muitas igrejas (risada). Mas falando sério, creio que estes convites são fruto da seriedade do meu ministério em torno da Palavra de Deus, que chama o homem ao arrependimento e a viver para a glória de Deus. Agora, me surpreende que estes convites venham, esmagadoramente, de igrejas pentecostais e neopentecostais, pois a mensagem da cruz depõe diretamente contra aquilo que estes grupos têm ensinado. E mais surpreendente é o fato de ser convidado a voltar 2, 3, 4 vezes na mesma igreja, onde, geralmente, a mensagem costuma ser de confrontação. Outra razão para tantos convites é o fato de muitas pessoas nas igrejas, inclusive pastores, estarem cansados destas mensagens de autoajuda, autoestima, de vitória, bênção, que se mostram ópio, de fato, para um povo cansado, sofrido, mas que precisa crer em alguma coisa para dar sentido na sua caminhada. Quando ouvem a mensagem do evangelho que nos faz perceber a nossa pecaminosidade e plena satisfação que existe em estarmos em Cristo, eles descobrem uma mensagem renovadora. Assim, acabo voltando, ainda que muitos líderes destas igrejas torçam o nariz (risada).
Blog: Você acha que pode planejar os próximo anos da igreja em Brasília ou você prefere esperar a direção de Deus? Planejar? Esta é outra bobagem que surgiu na igreja evangélica, sem nenhuma base bíblica. Nosso planejamento deveria ser: pregarmos a Palavra de Deus com fidelidade interpretativa, chamar os homens ao arrependimento, inseri-los numa comunidade onde os dons são vividos espontaneamente num serviço cristão no mundo que glorifique a Deus. Não sou de planejar nada, apenas procuro ver para onde Deus está levando a história de nossa igreja a fim de caminhar com Ele, e não contra Ele. Este é outro grande desafio em minha vida: discernir para onde Deus está levando a nossa história a fim de me manter fiel à vontade dele.
Blog: para encerrar, o que você diria para as pessoas que estão começando sua vida na fé em Cristo, que estão se convertendo agora e buscam viver o evangelho verdadeiro?
Que examinem as Escrituras, porque elas nos testificam de Cristo e da sua verdade. Agora, examinar é muito mais do que ler. Examinar implica em estudar com seriedade o texto sagrado, procurando compreender o que ele realmente ensina, a fim de não sermos enganados por profetas enganadores que de posse da Bíblia ensinam as interpretações mentirosas dos seus corações. Examinar as Escrituras significa procurar saber o que quis dizer o autor inspirado pelo Espírito ao escrever. Um simples exame das Escrituras seria suficiente para fazer cair este falso evangelho que está em nosso meio nestes dias. Além de examinar as Escrituras, aconselho que decidam ter suas mentes cativas das Escrituras Sagradas, de tal forma que nada tenho peso de autoridade para sua vida se não estiver declarado na Palavra de Deus. Exame sério das Escrituras e uma mente cativa à Palavra te levará a experimentar o poder de uma vida centrada na glória de Deus.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

TEMAS TEOLÓGICOS FUNDAMENTAIS NO CRISTIANISMO PRIMITIVO COM O DR. ALDERI MATOS

Dias 16, 17 e 18 de Junho será realizada a jornada teológica do programa de Pós-Graduação em Teologia Sistemática da SEBI com o Dr. Alderi Matos, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que tratará sobre os "Temas Teológicos Fundamentais no Cristianismo Primitivo", ajudando-nos a compreender as doutrinas que desde o início foram fundamentais para a fé cristã e que são inegociáveis para os que amam a Cristo. A jornada será aberta aos interessados. O valor da jornada será de R$ 80,00. As incrições podem ser feitas através do telefone: (61) 3257 8596