sábado, 20 de dezembro de 2008

A CERTEZA DE SALVAÇÃO À LUZ DAS ESCRITURAS - A FALSA CERTEZA DE SALVAÇÃO (II)

A parábola dos fundamentos, contada por Jesus, aponta para uma realidade muito triste e perigosa: muitas pessoas se enganam quanto à sua salvação, não examinam sua fé, sua vida, seu coração, e por isso caminham iludidos para o inferno, achando caminhar para o céu. Isto nos faz questionar: o que impede as pessoas de enxergarem a verdade sobre si mesmas, sobre o estado de suas almas? R.C. Sproul ("A Alma em Busca de Deus", ed. Eclesia, p. 158), acredita que a falsa convicção de salvação pode ser atribuída a um entre dois erros fatais: ou a uma falsa compreensão das condições, ou exigências, da própria salvação, ou a uma falsa avaliação quanto à nossa capacidade de satisfazer às exigências da salvação. Ele afirma: “a primeira é uma análise defeituosa da salvação; a segunda, uma análise defeituosa de nós mesmos”.
O entendimento errado da salvação, das suas exigências, leva o homem ao engano, banalizando a seriedade daquilo que ela representa e do sacrifício exigido por ela. Assim, Sproul alista quatro análises defeituosas da salvação que levam as pessoas a descansarem num fundamento insólito, inseguro e condenarório. A primeira é o universalismo que ensina que Cristo assegurou a salvação para toda a humanidade. Sproul responde a este ensino lembrando que, se isto é verdade bastaríamos estar seguros de pertencemos à raça humana. E isto independeria de continuarmos em pecado ou não. E se isto é assim, que sentido tem a palavra “salvação”? Se todos herdarão os céus, seria uma grande incoerência falar de pessoas salvas, uma vez que ninguém estaria perdido. Ao contrário deste ensino a Palavra de Deus insiste que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).
A segunda análise defeituosa diz respeito ao ensino da justificação pelas obras, a qual ensina que, se as pessoas assumirem uma vida boa, ou forem boas o suficiente, estarão salvas. Para Sproul há dois erros gravíssimos com este ensino: primeiro, ele nega a justificação exclusiva pela fé; segundo, faz uma avaliação errada da capacidade do ser humano, como se este fosse capaz de fazer boas obras, ou obras boas o bastante para satisfazer às exigências da lei de Deus, a qual requer perfeição. A Bíblia afirma, claramente: “Não há quem faça o bem” (Sl 14.3). Somente Jesus cumpriu a lei de Deus perfeitamente, e somente por meio dos seus méritos somos justificados diante de Deus.
A terceira análise defeituosa nos leva a pensar que a filiação à uma comunidade de fé é o suficiente para alcançarmos a salvação. Entretanto, Jesus reconheceu que as pessoas podem honrá-lo com seus lábios enquanto seus corações continuam distante dEle. Talvez este seja o maior perigo em nossos dias, confundirmos a confissão de fé salvífica em Jesus, com uma confissão denominacional. Percebe-se este perigo quando vemos inúmeros testemunhos televisivos apontando para o bem que denominação x ou y fez na vida de determinada pessoa por causa de “bênção” alcançada. As evidências da conversão (arrependimento e fé em Cristo para a salvação), sequer são mencionadas em tais testemunhos. Todavia, as pessoas se sentem seguras por pertencerem àquela igreja de onde auferiram a “graça” que buscavam. O fato de receber uma bênção de Deus não nos assegura salvação; como evidência disto, lembremos a história dos 10 leprosos, onde apenas 1 alcançou a salvação (Lc 17.11-19); ou lembremos, ainda, as palavras do próprio Senhor Jesus: “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14).
A quarta, e última, análise defeituosa sobre a salvação refere-se ao pensamento de que basta que a pessoa seja religiosa que alcançará a salvação. Por religiosa se entende, ou se quer dizer, alguém que, além de praticar os ritos religiosos de algum grupo, procura viver de forma digna, com ética, a sua vida. Novamente caímos no problema da má compreensão de nossa natureza humana: somos pecadores, portanto, não podemos fazer, absolutamente, nada isento de pecado. Além disso, ainda que alguém pudesse viver de forma íntegra, não poderia viver sem pecar, o que já a tornaria merecedora de julgamento, pois se o céu é um lugar perfeito, não cabe, ali, pessoas imperfeitas.
Reforça esta última análise defeituosa da salvação um dito popular que afirma que “todas as religiões levam à Deus”. Entretanto, as Escrituras afirmam, claramente, que a salvação ocorre exclusivamente por meio de Jesus, e que todas as religiões pagãs são repugnantes para Deus, pois roubam a glória de Deus e a transformam em glória de homens. Qualquer religião que negue a fé em Cristo como caminho para a salvação é mentirosa, enganadora.
O segundo caso que produz uma falsa convicção de salvação, segundo Sproul, é uma análise equivocada de nós mesmos. Ainda que saibam que a salvação se dá exclusivamente pela fé, as pessoas são tentadas a pensarem em suas atitudes como merecedoras da salvação. Há uma idéia de que somos participantes, com Deus, do processo salvífico. Ora, a Escritura declara que estamos “mortos em nossos delitos e pecados” (Ef 2.1), e se estamos mortos, como tal, não temos como responder a nada, nem fazer qualquer coisa por nós mesmos. Por isso a Bíblia fala da salvação como um “nascer de novo”, ou seja, voltar à vida; mas isto não se refere à reencarnação, como deturpam os espíritas esta frase. O que se quer dizer com “nascer de novo” é a necessidade de voltar a viver espiritualmente, sendo capaz de responder ao chamado de Deus e de fazer a sua vontade, tal como expressa em sua lei. Neste sentido, somente Deus pode nos fazer viver novamente por operação do seu Santo Espírito que aplica em nós o perdão e a vida conquistados por Cristo Jesus em sua morte e ressurreição.
Como a falsa convicção de salvação é um ensino claro nas Escrituras, precisamos tomar cuidado para que não nos encontremos sustentados sobre os nossos esforços vãos. Enquanto persistir em nós a mínima idéia de que somos salvos por nossos esforços, corremos o risco de nos enganarmos quanto à nossa salvação e, lamentavelmente, nos encontrarmos totalmente perdidos. Enquanto nossos corações e fé não repousarem plenamente na obra de Cristo, em sua morte e ressurreição, devemos questionar o sentimento religioso que há em nós, pois aqueles que, verdadeiramente, são salvos, tem testificado em seus corações, por meio do Espírito Santo de Deus, que, de fato, são filhos de Deus (Rm 8.16).

Um comentário:

edson disse...

Que gracinha esse menino.É visível como o mesmo Deus que operava milagres ontem,continua fazendo-os ainda hoje.Parabéns,feliz natal e um excelente ano novo para você e sua valorosa família.
Um forte abraço,Edson e família.