segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

CERTEZA DE SALVAÇÃO - Introdução

CERTEZA DE SALVAÇÃO
A realidade evangélica brasileira padece de um grande mal teológico medieval, o da incerteza quanto a sua posição no Reino de Deus. Os cristãos de nossa geração experimentam um tipo de fé que produz medo e frustrações. Uma fé que não assegura verdades eternas para aqueles que a possuem.
Como conseqüência disto, vemos crentes enfermos espiritualmente, estagnados no processo de santificação, de crescimento no relacionamento com o Senhor, e até mesmo indispostos a amadurecer.
Isto tem se estabelecido em nosso meio de uma forma avassaladora, visto que a conversão tem sido mal ensinada e mal compreendida em nossas igrejas. O que observamos é um ensino que se fundamenta nas obras meritórias do fiel, numa série de regras que devem ser guardadas e sem as quais o mesmo estaria condenado.
Por mais que neguemos tal aspecto, e atribuamos a Cristo a nossa salvação, esta não é vista de fato como um descanso de fé na obra que Ele realizou na cruz do calvário pelos seus. A salvação, no inconsciente de uma boa parte dos cristãos, repousa em Cristo, mas não naquilo que Ele realizou no Calvário, mas naquilo que Ele ensinou.
Esta visão nos leva ao cerne do problema soteriológico do gnosticismo tal como se apresenta no século II, onde a salvação oferecida por Cristo recaía nos seus ensinos e aqueles que obtivessem o conhecimento (gnosis) do mesmo e lhe observasse seriam salvos.
O catolicismo medieval cometeu um erro similar ao negar a possibilidade da certeza da salvação por confundi-la com a santificação. Apesar de aceitar o sacrifício de Jesus na cruz, a Igreja negava a possibilidade de termos a certeza de que aquele ato nos incluía e nos livrava da condenação. Anthony Hoekema cita alguns parágrafos dos Cânones e Decretos do Concílio de Trento onde se diz:
Ninguém sabe com a certeza da fé, que não pode estar sujeita a erro, que obteve a graça de Deus.
Ninguém, enquanto está nesta vida mortal, pode presumir, com respeito à divina predestinação, que pode determinar por certo que está entre os números dos predestinados... exceto por revelação especial, não se pode saber quem Deus escolheu para si mesmo. Se alguém diz que um homem, nascido de novo e justificado, é obrigado
pela fé a crer que tem lugar assegurado no número dos predestinados: seja anátema.
Assim, a salvação se torna um esforço humano em observar os ensinos de Jesus sem que se possa ter a certeza de já a ter alcançado. Como resultado deste esforço temos o cansaço espiritual e, em uma boa parte dos casos, a frustração.
Este é o mesmo quadro que se desvenda no cenário evangélico brasileiro onde o legalismo é sinônimo de meio para a salvação. Daí porque termos tantos cristãos desfalecidos em sua caminhada e tantos outros estagnados no crescimento espiritual.
Possuir a certeza de salvação é de suma importância para o progresso espiritual. Como alerta o Dr. R.C. Sproul,
Talvez nada seja mais importante para acelerar nosso crescimento cristão do que uma correta e sólida convicção da salvação. Quando duvidamos acerca de nossa condição no Reino, tornamo-nos vulneráveis aos dardos flamejantes de Satanás. Somos como junco balançando ao sabor do vento. Tornamo-nos como cortiça no oceano, sendo sacudidos a cada mudança da maré.
A estabilidade é a marca do cristão maduro. Tal estabilidade não é possível, contudo, se o próprio alicerce do crente não for sólido. Casas estáveis repousam sobre fundações estáveis.
É com esta preocupação pastoral que desejamos expor a doutrina da certeza de salvação, fundamento essencial para o desenvolvimento de nossa fé.

5 comentários:

Evangelista Altair Alves disse...

Paz do Senhor Pastor e meu professor Airton Williams.

Primeiramente quero parabeniza-lo pela serie de estudos que tem postado no Blog. Estudos estes que é de auto-ajuda e para compreedermos melhor alguns assuntos.

Quero parabeniza-lo pelo último, concernete a salvação. Essa colocação que não é pelos ensinamentos de Jesus, é claro que faz parte, que não somos salvos, mas sim pelo sacrificio de Jesus na cruz. É uma interpretação correta. Porque se não estariamos esquecendo o sacrificio de Jesus. Eu acredito que os ensinamentos de Jesus é só para termos uma conduta correta e um bom testemunho diante dos demais.

PARABENS PROFESSOR AIRTON!!!

Continue postando estes estudo no blog porque é de muita valia.

Airton Williams disse...

grande Altair, obrigado pela participação no blog. vc realçou algo importante, olharmos para o sacríficio de Jesus. sem dúvida, os ensinos do Senhor nos mostram a forma de agradarmos a Deus e tb nos apontam para o calvário, a fim de entedermos o que ali fora feito pelos filhos do Pai. que Deus abençoe tua vida ricamente.

Rodrigo Arthur disse...

Muito bom pastor Airtom

miriam leda disse...

ótimo estudo pastor

Daisy disse...

Chega a ser vital compreender este assunto. Que Deus o ilumine cada dia mais e continue a oferecer os esclarecimentos sobre salvação. Muitos serão abençoados.
Daisy Alves