sexta-feira, 23 de outubro de 2009

VIDAS QUE PERMANECEM EM TEMPOS DE SOFRIMENTO – Parte IV - Jó 42.1-5

Quando pastoreava Luziânia-GO, o que ocorreu entre 1995 e 1997, conheci uma senhora admirável, professora famosa na cidade. Nossa igreja (naquela ocasião eu era um pastor presbiteriano), tinha um terreno muito grande, eram 10 no total, que perfaziam 3.600m. A maioria, 9, se não me falha a memória, havia sido doado por esta irmã. Todavia, ela era uma senhora muito doente, e por isso não podia ir a igreja. Assim, como seu pastor, pelo menos uma vez por mês ia visitá-la para celebrar a Ceia do Senhor com ela.
Sempre que eu chegava era recebido com muita alegria. Mesmo com dificuldades de locomoção, ela vinha à porta para me receber com um braço e um gracioso sorriso. E, normalmente, neste tipo de saudação, costumamos perguntar, mesmo que por costume: “como a senhora está?”. E a resposta daquela senhora era sempre a mesma, e sempre me encantava.
Porém, um dia, a resposta dela passou a ter mais significado para mim. Através de alguém da igreja, soube da triste história que aquela senhora. Ela teve um único filho, a quem ensinou os caminhos do Senhor. Por ele ela fez de tudo. Não somente lhe deu educação espiritual, como também formação profissional.
Quando seu filho completou 18 anos, juntamente com seu marido, decidiu lhe dar um carro novo. O rapaz tirou a carteira, como manda a lei, e dias depois recebeu seu lindo e caro presente. Assim, com ele ia à igreja, participava das atividades departamentais, sociais, de evangelismo e etc. tínhamos, ali, uma imagem de uma família abençoada.
Quando se chega em Luziânia, pela entrada principal, têm-se uma avenida muito grande, reta, que no final dá no centro da cidade. Esta avenida, além de grande e reta, é em declive. Todavia, antes de chegar ao centro, há uma rotatória. Pois bem, num belo dia, à noite, o filho desta irmã voltava de um lazer, e acelerou um pouco mais o carro. Não se pode dizer que estava correndo fora dos limites, mas estava acima do normal. Quando chegou próximo à rotatória, este irmão perdeu a direção do carro, que capotou junto à ribanceira. Para tristeza daquela mãe, seu único filho falecera neste acidente.
A partir do momento que soube desta história as palavras de saudação daquela irmã me soavam mais profundas, e também o alimento de sua alma após a tragédia. Sempre que lhe perguntava: “como está a senhora?”, ela me respondia: “com Cristo no barco tudo vai muito bem”. O barco podia estar à deriva, lançado à tempestade, mas se Cristo estivesse nele, estaria tudo bem, bastava crer.
Estas simples palavras daquela irmã me ensinaram uma coisa muito profunda sobre o sofrimento, e que podia ver o paralelo em Jó: em tempos de sofrimento é necessário saber que Deus está no controle de tudo. Porém, esta percepção só fará sentido para nós se tivermos uma correta compreensão de quem é Deus. E esta percepção que tem levado muitas pessoas às neuras em tempos de aflição, pois o seu Deus não é aquele revelado nas Escrituras, um Deus que tem o controle de tudo e tudo conduz para a sua glória. O Deus de milhares de pessoas é um deus criado à imagem e semelhança da soberba e avareza humana. Assim, quando as coisas não funcionam, quando o bem se transforma em mal, o deus destas pessoas se quebra, o altar idolatra é destruído, e, então, ficam sem rumo, sem norte, sem porto em meio à tempestade.
No livro de Jó, o deus dos amigos de Jó era muito limitado e à serviço do nosso bem. Assim, se fizéssemos as coisas corretamente, andássemos na justiça, é certo que Ele só nos abençoaria. Se, por outro lado, andássemos em pecado, sua maldição também seria certa. Neste tipo de pensamento, o deus dos amigos de Jó é um deus que barganha com o homem, um deus manhoso, que só faz o bem se receber em troca o bem.
Acontece que a história de Jó surge para chocar esta mentalidade pequena de Deus. Para nos mostrar que o soberano Senhor, Criador dos céus e da terra, não está sujeito aos nossos comportamentos; mostrar que sua glória não se negocia com a mesquinhez dos nossos corações. Jó entendia isto, mas somente no final do livro fica claro para ele os fundamentos desta questão.
Até o capítulo 38 todo o debate gira em torno dos amigos de Jó com ele, numa relação acusação-defesa. Foram três rodadas, com nove discursos, sem que a questão fosse resolvida. Atendendo ao clamor de Jó, 31.35, Deus intervém no debate e passa a falar. Na verdade, Deus passa a se revelar em meio ao sofrimento, à dor, às lágrimas, e esta revelação leva Jó a declarar: “eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem”. Esta última frase não deve ser interpretada literalmente, pois Jó não viu a Deus, de fato. O que a frase quer dizer é que, agora, Jó não somente conhecia Deus pelo discurso, mas compreendia quem Ele era em meio à sua história. E é desta experiência que surge a última lição que aprendemos com Jó sobre o sofrimento: vida que permanece em tempos de sofrimento é marcada por uma correta percepção de Deus.
Hoje, quando vejo inúmeras pessoas sofrendo, quer seja por decisões erradas que tomaram, por pecados cometidos, pelo azar que tiveram ou pelas injustiças sofridas, não consigo entender a forma como se voltam para Deus e passam a lhe ordenar o que deve fazer e como fazer. Não consigo entender como pessoas prostradas mantêm a pose de senhorio e se achegam para Deus cheios de direitos e exigências.
Numa certa ocasião, enquanto pastor-auxiliar em Itapeva-SP, assisti parte de uma mensagem que me deixou chocado. Entrei na farmácia para comprar um remédio, por volta das 23:00, havia um bom movimento, e então, fiquei aguardando o balconista. Durante este período, assisti a referida mensagem na televisão. O pregador, senhor Edir Macedo, anunciava que Jesus tinha vindo nos trazer vida “abundante”, e interpretou isto como sendo bens materiais, físicos: dinheiro, saúde, etc. Depois de explicar isto, passou a ensinar que tais bênçãos são auferidas com a entrega dos dízimos e ofertas especiais. Então, veio o que me assustou, ele disse: “quando você entrega o seu dízimo ao Senhor, é como se você colocasse uma faca no pescoço de Deus e, então, pudesse exigir o que você quisesse”. Sim, estas foram as palavras chocantes. Agora, o mais interessante é que a igreja deste senhor continua cheia em qualquer lugar do país. O que mostra que as pessoas criaram um deus segundo os seus desejos, e no momento da dor, do sofrimento, por desconhecê-lo, de fato, entram em neuras psicológicas.
Este deus frágil, manhoso, manipulável, não é o Deus que a Bíblia apresenta e que levou Jó a se calar. Quem é este Deus? O autor do livro não pretende fazer uma explanação teontológica, ou seja, uma explanação do ser de Deus, conforme revelado no Antigo Testamento. O seu propósito ao nos narrar o final da história de Jó, principalmente o bloco de 42.1-6, era refletir sobre Deus a partir das nossas inseguranças, medos e revoltas. Quem é este Deus diante do nosso sofrimento?
A primeira frase reveladora diz: “Bem sei que tudo podes...”. Esta frase é interessante, pois revela uma faceta tão conhecida de Deus, porém, mal-compreendida em nossa teologia do sofrimento. Quando lemos “tudo podes”, deduzimos, de imediato, a “onipotência” de Deus, e isto é correto. O que está errado com nossa leitura é a unilateralidade de nossa interpretação.
Quando dizemos que Deus “tudo pode”, associamos isto somente com bênçãos, vitórias e sucessos que Ele nos dará. Todavia, Jó sabia que Deus tinha todo o direito de dar o que bem entendesse, tanto o bem quanto o mal. Observe que já no cap. 2.10 ele havia dito, respondendo ao conselho louco de sua mulher: “temos recebido o bem de Deus e não receberíamos tambpem o mal?”
Até o confronto com o Senhor, Jó sabia que Deus tinha todo o poder para nos dar o que bem entendesse. O que muda após o discurso do Senhor, a partir do capítulo 38, é que Jó passa a entender isto, pois estava diante do Senhor soberano, que não deve satisfação a ninguém. Agora, a fala de Jó se reveste de uma tonalidade difente de de 2.10, a tonalidade de quem viveu a experiência de compreender que Deus “tudo pode” realmente: pode nos dar o bem (e.g. bênçãos, vitórias, sucessos, etc.), e também pode nos dar/enviar o mal.
Para continuarmos nossa reflexão, convêm fazer uma observação: quando o texto fala do direito do Senhor nos dar o “mal”, não se refere à ideia de mal moral, ou seja, Deus não nos dará o pecado como experiência. Quando a Bíblia fala que Deus pode e dá o mal aos seus filhos, ela sempre se refere ao conceito de sofrimento, dores, muitas vezes resultado dos nossos pecados (e.g. o caso de Davi), o que não é o caso em Jó.
Em Jó, Deus envia o mal/sofrimento como forma de testar, provar, a fé daquele homem justo. E isto nos intriga, pois segundo a teologia popular, Deus só pode dar ao homem piedoso as bênçãos materiais. Neste caso, Jó soa como blasfêmia para os defensores deste pensamento, pois é exatamente a retidão de Jó que o leva ao sofrimento.
Compreendendo esta questão do “mal”, vemos que o Deus revelado na Bíblia não é Deus que existe para atender nossos caprichos, nossas vontades infantis, imaturas. Ainda que possa dar-nos “o melhor desta terra”, ele também nos faz sofrer para amadurecermos na jornada de fé; ele nos faz sofrer para que possamos expressar nossa total confiança nele, e não naquilo que possuímos, nos bens que conquistamos, os quais são transitórios e estáveis (1 Tm 6.17).
É ilustrativo disto quando lemos Deuteronômio 8.2, quando o Senhor diz que levou o seu povo ao deserto para o “humilhar, para provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos”. É esta a experiência que Jó viveu, a experiência do deserto, de alguém que perdeu tudo, até a própria dignidade para saber se “guardaria” ou não os mandamentos do Senhor.
Sim, Deus pode tudo, inclusive nos conduzir ao deserto e nos fazer passar fome; foi assim com Moisés, foi assim com Cristo, foi assim com Paulo e tantos outros. É importante que entendamos em nossas aflições que Deus não existe para nos poupar das adversidades. Em muitos momentos, ele no-las imporá. E não fará isto por causa de pecados não confessados, ou mesmo confessados; fará isto, em muitos casos, apenas para provar o nosso coração.
É a compreensão deste Deus soberanos, inquestionável em seus atos, que permite Jó sobreviver ao sofrimento e manter-se fiel: o seu Deus não era um “gênio da lâmpada” à seu serviço, pronto a atender seus pedidos, mas o Senhor que governa todas as coisas e que as conduz para a sua própria glória.
Mas quando Jó diz “bem sei que tudo podes”, outra questão nos é ensinada: se Deus pode nos dar também o mal, é certo que não está preso somente ao mal; então, se soubermos esperar, e nele confiar, o bem também chegará sobre aqueles que nele confiaram e a ele se submeteram na adversidade.
Sim, se Deus tudo pode, há tempo para recebermos o bem e o mal. E se vivemos um tempo em que somos afligidos pelas mais diversas provações, com certeza haverá um tempo em que nossa sorte será mudada, em que o Senhor voltará a sorrir para nós. Se “o choro pode durar a noite inteira”, é certo que chegará a manhã, e com ela a “alegria”. Deus não está sujeito nem condicionado a alguma coisa.
Na visão de um Deus soberano, onipotente, Jó encontra conforto para o seu coração. E enquanto esta percepção de Deus não for restaurada em nossas vidas viveremos em revolta com o mundo, com aqueles que nos amam e com o próprio Deus.
Como pastor tenho encontrado inúmeras pessoas destruídas porque criaram um deus falso para si um deus que lhes daria tudo o que desejassem; um deus que poderia ser manipulado com ofertas e dízimos; um deus elitista, que só atenderia alguns poucos, enquanto outros milhares morreriam às mínguas. Estas pessoas, todavia, descobriram da pior forma possível que Deus não é assim. Descobriram que ele não somente permite o sofrimento, como também envia até sobre os justos, os piedosos. E quando a vida lhes mostrou isto, foram abatidas em sua soberba, e desencantaram com a vida, com a fé.
Sou grato a Deus por poder ajudar muitas pessoas em meus 15 anos de ministério pastoral a reencontrarem a fé, redescobrirem Deus e serem gratos a ele por tudo o que passaram. Quando O conhecemos, podemos cantar a canção que diz:
“Sou grato, Senhor, por todas as provações
Que me fazem crescer em Ti,
Ao deixar-Te agir
Sou grato, Senhor
Pois as provas vem transformar
Minha vida e paciência dá,
Me ensinando amar.

“Bem sei que tudo podes” nos convida a entregarmos tudo ao Senhor, a nos despirmos de direitos pessoais, de justiça pessoais, e confiarmos a condução da história de nossas vidas na mão daquele que é soberano sobre todas as coisas.
Mas há uma segunda expressão de Jó quanto à sua percepção de Deus, quando diz: “nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Esta frase explica a primeira num ponto importante: nada do que Deus faça é arbitrário ou ilógico; nada do que ele faça conduz para um fim sarcástico, como aqueles que têm prazer no sofrimento do outro. Deus é soberano, pode fazer o que quiser, mas sempre o fará a partir de propósitos bem definidos que revelarão sua graça no final da história para aqueles que forem aprovados no teste da fé.
Há muitas coisas acontecendo com nossas vidas que nem fazemos ideia do porquê, apenas sabemos que estão acontecendo. E da mesma forma que sabemos, Deus tambem o sabe e a tudo conduz para Se revelar a nós. Jó passou por tudo o que passou, perdeu os bens, a família, a própria saúde, e com ela a sua dignidade (lembre-se, ele passou a ser uma pessoa repugnante por causa de suas chagas), mas no final encontrou Deus, o conheceu de uma forma profunda, intensa, transformadora.
Sim, quando os justos passam por provações há propósitos do Senhor em jogo; quando o filho pecador se rebela e passa por provações, há propósitos do Senhor em jogo; até mesmo quando os ímpios passam por provações, há propósitos do Senhor sendo executados.
Os propósitos de Deus no sofrimento podem ser os mais diversos. No livro de Jó alguns são apontados. Através dos “amigos” de Jó vislumbramos a verdade de que muitas vezes Deus nos faz sofrer para nos corrigir (ainda que não tenha sido este o caso de Jó). Quando pecamos ou o pecado em si nos traz dores como consequências, ou o próprio Deus impõe a nós dores profundas para nos conduzir de volta a si mesmo. E quando isto acontece devemos agradecer-Lhe, pois só nos mostra que somos filhos amados.
Lembro, com tristeza, de minha própria trajetória de fé em 2007. Aquele ano foi o meu grande deserto. Por causa dos meus pecados inúmeras foram as vezes que chorei, com amargor de alma, pois “a mão do Senhor pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio”. Mas o que me consolava era saber que eu só estava passando por aquilo porque Deus me amava e precisava me curar, me restaurar. Lembrava-me da figura do “bom pastor” que para endireitar o caminho da ovelha muitas vezes precisava quebrar-lhe as pernas.
Outro propósito de Deus no sofrimento vemos no discurso de Eliú, quando acusa Jó da soberba. É verdade que Jó não havia pecado para merecer o sofrimento, mas ao defender sua justiça acabou se excedendo, e sem querer, abriu espaço para a soberba. Não podemos condenar Jó por isso, afinal de contas, se já não bastasse estar sofrendo, ainda teve que aguentar acusações maldosas dos seus três amigos. E no afã de se defender das mentiras que proferiam contra ele acabou se excedendo. A dor faz isto. Mas para que não abra espaço para o orgulho pessoal, o sofrimento nos impõe o abatimento da alma e a dependência do nosso Deus. Sim, no sofrimento Deus nos ensina o caminho e a beleza da humildade; a singeleza do esvaziamento da altivez, e nos faz orar como Davi:
“SENHOR, não é soberbo o meu coração,
nem altivo o meu olhar;
não ando à procura de grandes cousas,
nem de cousas maravilhosas demais para mim.
Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma;
Como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe,
Como essa criança é a minha alma para comigo.

Através do sofrimento Deus tem como propósito, também, ensinar-nos a confiar plenamente nele, à despeito do que passemos ou vivamos. Este é o teste da fé. O que queremos do Senhor? Ele ou as bênçãos que dele provém? Quando somos expostos ao sofrimento Deus revela os nossos corações, nos faz ver quem somos e as motivações da nossa piedade. Um dia o promotor da corte celeste disse ao Senhor: “Jó só te é fiel porque tu o tens protegido; tira a proteção, deixa-lhe a mercê da sorte e vê se te é fiel”. A fé precisa ser provada para que se manifeste na história e produza evidências da sua veracidade, da sua autenticidade. A sorte de Jó foi mudada; a cerca de proteção foi retirada, e o seu mundo ruiu. Ele sofreu pressões de sua mulher para apostatar; seus amigos lhe impuseram revolta com injúrias; seu coração até se ensoberbeceu, mas não deixou de amar o seu Deus, não deixou de lhe ser fiel, não deixou a integridade de sua fé.
Os planos de Deus estavam em execução, e todos eles apontavam para o Deus soberano que tudo conduz para a sua própria glória e bem dos que o amam. É por isso que o apóstolo Paulo enfatiza: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8.28). Deus não age arbitrariamente, tresloucadamente. Ainda que não saibamos o por que de certas coisas, de certas situações, com certeza ele está conduzindo esta história para um fim proveitoso se soubermos confiar na sua soberania.
Mas na frase “nenhum dos teus planos pode ser frustrado”, aprendemos que os planos de Deus não podem ser “frustrados”, ou seja, eles cumprirão o seu propósito, não podendo ser interrompidos por ninguém, nem mesmo pelo diabo e seus anjos.
Ora, se os planos de Deus não podem ser frustrados, não adianta nos desesperarmos nas adversidades, pois elas cumprirão o tempo que têm que cumprir. Na condução da história Deus levará à cabo tudo o que começou, e após cncluído contemplará as obras de suas mãos em nós. Assim, no sofrimento, vale à pena esperar o desfecho da história. Como diria um ditado: “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”. Os que querem antecipar o final acabam se perdendo, e muitos acabam por descobrir a morte.
Se os planos de Deus não podem ser frustrados, é importante saber ler o que está acontecendo, na certeza que muitas coisas Deus tem a nos ensinar, e em todas as coisas nos dirigindo para ele mesmo. É esta a lição final que Jó aprende (v.3,4): o seu Deus é aquele que se preocupa em se revelar a nós no sofrimento para que gozemos de uma experiência mais profunda de comunhão com ele; comunhão que transcende o que temos.
Se não temos aprendido de Deus no sofrimento as ricas lições que ele tem a nos ensinar, então somos convidados, com Jó, a nos arrependermos de nossa soberba, ou quem sabe pecados (se este for o seu caso), e nos humilharmos no pó e na cinza, reconhecendo que nada somos para merecer alguma coisa boa de Deus, e que Ele é justo em todas as suas obras.
Que o Senhor se compadeça de nós e se revele a nós em nossos sofrimentos levando-nos a conhecê-Lo como de fato ele é, a fim de não sermos destruídos em nossa própria confiança e autojustiça. Amém.

2 comentários:

Michele Ribeiro Lemos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RÓGER disse...

De fato, pr. Williams, a condução em Jó nos leva a rever nossa compreensão sobre a vida, as coisas, o ser, e Deus. É, guardadas as proporções, "filosofar" sobre o bem e o mal na existência. Gosto de suas colocações. Penso que a gente não pode é cair no conformismo e deixar de "lutar" a partir de nossa compreensão correta sobre o Deus soberano. E, estou certo, não é isso que o sr. quis dizer. Grande abraço e muita paz em Cristo.