domingo, 23 de novembro de 2008

A Influência de nossa cosmogonia sobre nossos relacionamentos

Em que consiste o fundamento das relações humanas? As respostas podem ser as mais variadas possíveis, amor, respeito, consideração, honra, etc., mas na verdade todas estas alternativas mascaram algo mais profundo, as crenças e valores que carregamos em nossos corações, modernamente chamado pela psicologia de inconsciente.
Não temos como fugir ao fato de que todo relacionamento saudável brota de escolhas que fazemos interiormente, de afinidades que se estabelecem, gerando ou simpatia ou empatia. Quando isto não ocorre se diz que houve antipatia. E nestas formas de interação surge a questão: de onde procede tais níveis de relação? Sem dúvida alguma daquilo que herdamos como “verdades” sobre a vida, e neste ponto introduzimos aquilo que julgamos ser o cerne do problema, a cosmogonia que absorvemos em nossa cultura.
Podemos dizer, com toda certeza, que a cosmogonia que aceitamos determina todo o conjunto de crenças, valores, comportamentos (ethos) e sentimentos (pathos), de nossa existência. Por cosmogonia se entende a concepção que se tem da formação do universo, e neste caso duas são as possibilidades: o acaso, sendo tudo resultado da evolução aleatória, ou o planejamento proposicional, resultado da criação efetuada por um Deus sábio e amoroso.
No primeiro caso, tem-se que a vida em nada possui propósito, sendo resultado de acidentes cósmicos. Assim, os nossos relacionamentos são forjados a partir de instintos que precisam ser supridos. Neste sentido, bom filme é “A guerra do fogo”, pois evolucionista em sua conceituação desce aos meandros da complexidade formativa das relações humanas a partir de interesses egoístas e instintivos no ser humano, animal que era. Percebe-se, então, os fundamentos relacionais desta cosmogonia:
• Amoralidade: o ser humanos, enquanto animal, não possuía noção de moral, seguindo e vivendo segundo seus instintos, portanto, não existindo certo e errado, sendo verdadeira e válida toda relação que estabelece com o seu semelhante, podendo, inclusive, matá-lo e violentá-lo sem que isto lhe pesasse a consciência. Os código morais seriam exigências da organização social e das necessidades de sobrevivência e poder do ser humano.
• Vazio de sentido para a vida: obra do acaso, a que se destina a vida? A nada! Assim, cada um dá o sentido que quer à sua existência.
• Egoísmo: não existindo códigos de comportamento e sentimentos, nem sentido para a vida em si, o homem se volta para si mesmo e seus instintos, criando aquilo que julga importante. Assim, afloram duas manifestações claras do egoísmo: o instinto de sobrevivência e a busca pelo poder/prazer.
Destas questões decorre o lenda do “super-homem” apregoada por Nietzsche, que a espécie mais forte subjuga e sobrevive sobre a mais fraca, tendo nesta o alimento do seu poder e prazer.
Ora, vendo isto, então, entendemos porque nossa sociedade vê na banalização do sexo, na promiscuidade e na violência algo natural. Num mundo que obra do acaso, que mal há em deixar aflorar os instintos? Por que não suprir a vontade sexual com várias pessoas? Por que não explorar o próximo a fim de se enriquecer ou obter posições e poder? Se não existe moralidade mesmo, se esta é resultado de acordos de sobrevivência entre povos, o que há de errado em olhar para o meu semelhante e ver nele apenas alguém que pode me potencializar como espécie mais forte da raça humana?
No segundo modelo cosmogônico temos que o universo não é obra do acaso, mas foi algo planejado a fim de cumprir um propósito. Assim sendo, fundamentam os relacionamentos humanos nesta conceituação:
• Moralidade: como obra planejada, a vida é regida por leis claras que estabelecem o seu bem ou o seu mal. Existe uma moralidade inerente à criação, que perpassa os relacionamentos humanos.
• A vida é constituída de sentido: não caminhamos para o vazio, para o nada, mas para um fim, e esta caminhada se faz ao lado do próximo, alguém que me ajuda e completa como pessoa.
• Altruísmo: como o próximo não é alguém de quem subtraio poder ou realizo minhas vontades, a relação se constitui numa forma de doação e crescimento mútuo.
Dentro duma perspectiva bíblica de criação, os relacionamentos se potencializam dentro de uma cosmovisão sobre a natureza do homem, criado à imagem e semelhança do seu Criador, o que implica:
1. Que tenho no meu semelhante alguém igual a mim, sendo ele, não importa sua situação, criado para refletir o seu Criador tanto quanto eu. E é nesta semelhança, na capacidade de nos vermos também no outro, que se desenvolve o amor e a compaixão. A imagem e semelhança de Deus em nós equilibra nossa visão do outro:
• Não sou melhor do que ninguém, porém, também não há ninguém melhor do que eu; somos iguais.
2. Que tenho no meu semelhante alguém que me ajuda a crescer e a quem sirvo para que cresça também. A vida se torna um serviço de amor recíproco.
3. Que Deus estabeleceu leis claras de como viver potencial e plenamente esta relação. Entende-se que primeiro deve-se amar ao Criador e somente a partir do amor dele por nós, em Jesus, somos capazes de amar ao nosso semelhante. O Decálogo é um excelente exemplo disto.
As nossas decisões relacionais dependerão, em muito, da forma como entendemos a formação do nosso universo. Quanto mais longe formos da compreensão da criação, tanto mais longe nos tornaremos do nosso próximo.

3 comentários:

adriano disse...

williams tenho me aprofundado sobre a cosmogonia. este artigo é interessante e me fez pensar algumas coisas que aconteceram na semana retrassado quando estive em Juazeiro.... uma terra tao "religiosa" mas distante de Deus.... a saber a quantidade de homossexuais que la estao..... e pensando na criação me veio a memoria a hsitoria do lhc que tenho minhas duvidas se ele chegará a funcionar, na tentativa de imitar o soberano Deus....

teol305 disse...

Se nós como igreja de Cristo, aprendêssemos a viver segundo o conhecimento que temos sobre a criação e formação do nosso universo. Sabe professor Airton, lendo este artigo pude ver quantas guerras de relacionamentos poderíamos evitar, quantos erros que cometemos em relação ao nosso próximo pelo simples, mas terrível fato, de achar que somos melhores que alguém. Muitas bençãos!!!!!!!

Airton Williams disse...

Agradeço os comentários que foram feitos. Na verdade, este assunto é muito relevante e merece aprofundamento. dentro daquilo que tanto Adriano como os alunos de teol305 fizeram enriquecem a discussão. quem sabe poderemos aprofundar mais ainda este assunto e observarmos implicações bem práticas para as nossas vidas. Deus vos abençoe.