segunda-feira, 4 de maio de 2009

A CERTEZA DE SALVAÇÃO ENCORAJA O CRENTE A PERSEGUIR A SANTIDADE

Aqueles que objetam a doutrina da certeza da salvação geralmente a acusam de frouxidão moral. Alegam que, se tal convicção é possível, já não precisamos nos preocupar com nossas atitudes, pois se nossa salvação não pode ser perdida, “uma vez salvo, para sempre salvo”, então, podemos nos entregar à toda sorte de pecado, pois nada poderá nos roubá-la.
Entretanto, os que pensam assim deixam claro a ignorância que possuem do assunto, pois em momento algum a doutrina da certeza de salvação advoga o direito ao pecado voluntário. Antes pelo contrário, visto que a certeza de salvação nos leva a desejar o crescimento espiritual e afastamento definitivo do pecado. Por isso, somente os que a possuem podem, de fato, crescer em santidade de vida.
Para não cairmos na falácia do pensamento libertino, convém lembrar o ensino soteriológico que subjaz, fundamenta, a certeza de salvação. Em resumo, aquele que verdadeiramente foi regenerado pelo Espírito de Deus desejará, ardentemente, fazer a vontade do Pai. A salvação nos livra da escravidão do pecado e nos enlaça no amor de Cristo, fazendo-nos amar as coisas de Deus. Assim, se alguém diz ser salvo, mas ainda se regozija no pecado, este não é do Pai, não nasceu de novo.
Em 1 Jo 2. 3-6 observamos que aqueles que mantém comunhão com o Pai e o Filho (1.3) guardam os seus mandamentos. Ora, para o homem natural isto é impossível, pois a lei de Deus, os seus mandamentos, lhe são cansativos; entendem que a lei de Deus é escravizadora, impedindo-lhes de viverem conforme desejam. Em outras palavras, os que não são regenerados odeiam as coisas de Deus. Todavia, os que nasceram do Pai, por meio do Espírito Santo, que lhes aplicou a obra redentiva da cruz, amam os mandamentos de Deus, pois entendem que estes visam aperfeiçoá-los em sua caminhada de amor para com o seu Deus e o seu próximo.
Esta experiência os leva a experimentar crescimento espiritual, pois veem o amor de Deus aperfeiçoado em suas vidas, e como consequência, passam a andar como Jesus andou. O modelo que buscam de vida, agora, é o do seu Senhor, Jesus; antes viviam segundo as inclinações da sua carne, mas agora, olham para Cristo, e nele se espelham, pois Ele é o “autor e consumador” da sua fé.
É por esta razão que a Confissão de Fé no parágrafo III, na última frase diz: “Longe esteja isto de predispor os homens à negligência”. Aquele que tem a certeza de sua salvação sabe o quanto ela custou para tirá-lo do lamaçal do pecado. Ao contrário de uma bela canção, que peca em seu final quando diz: “eu nunca saberei o preço do meu pecado lá na cruz”, os que foram regenerados pelo sangue do Cordeiro sabem, exatamente, o alto preço pago por Cristo, e por isso têm como vergonha expôr tal ato maravilhoso de amor ao pecado novamente. Assim, a certeza de salvação levará o crente fiel a crescer dia após dia no conhecimento de Deus, estimulando-o a ser como seu Senhor, honrando o chamado que um dia receberam.
Em Efésios 4.1 o apóstolo Paulo nos diz: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados...”. Se observarmos direito o texto de Efésios, como um todo, veremos que o “chamado” foi feito por Deus, por meio de Jesus Cristo (1.3-22). Como fomos “selados com o Espírito Santo” (1.13), fica evidente que este “chamado” tem, em si, a certeza da salvação. Mesmo assim o apóstolo Paulo exorta a igreja a andar de “modo digno da vocação (chamado)”. Neste sentido, após a exortação, o apóstolo delineia três atitudes básicas daqueles que foram chamados em Cristo: 1) a preservação da unidade do corpo de Cristo, “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (vv.2-16); 2) o revestimento da santidade (vv.17-32); a imitação do caráter de Deus na caminhada de fé (5.1-21).
Assim, como se vê, a certeza de salvação nos desafia a vivermos a dignidade do Reino ao qual pertencemos. Nos coloca numa nova posição no mundo como patriotas do reino celestial (Fp. 1.27). Quem foi salvo, de fato regenerado pelo sangue do Cordeiro, tem prazer no caminho da santidade, pois sua vontade foi regenerada, seu coração pulsa nova vida, a vida de Cristo.
Ao invés de ser um convite à frouxidão espiritual, a certeza de salvação nos impulsa a crescer cada vez mais em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador, que com seu sangue gracioso nos redimiu de toda condenação, dando-nos um coração regenerado, apto para amar a Deus e ao próximo.

Um comentário:

RÓGER disse...

Concordo plenamente irmão. Infelizmente, aqueles que advogam não ser necessária uma conduta externa exemplar - ainda que esta nasça de dentro para fora - querem, na verdade, legitimar sua condição de não submissão às ordenanças da Palavra. Grande abraço.
PS: qdo começa o curso sobre apocalípse, inscrição, etc.